PF marca novos depoimentos de inquérito sobre supostas interferências indevidas de Bolsonaro na corporação

Aguirre Talento e Bela Megale
Sede da Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro

BRASÍLIA - A Polícia Federal agendou para a próxima semana uma nova rodada de depoimentos no inquérito sobre as supostas interferências indevidas do presidente Jair Bolsonaro na corporação. Serão ouvidos outros delegados que podem ter informações sobre esses fatos sob suspeita.

Um dos depoimentos é do delegado Cláudio Ferreira Gomes, diretor de inteligência da Polícia Federal, que será ouvido sobre o envio de relatórios de inteligência da PF para Bolsonaro, uma das principais justificativas usadas pelo presidente para justificar seus pleitos de demissão de nomes da corporação. Cláudio será ouvido na terça-feira.

Na quarta, serão ouvidos os delegados Cairo Costa Duarte (superintendente da PF de Minas Gerais) e Rodrigo Morais. Morais foi responsável pela investigação de Adélio Bispo, autor da facada contra o presidente, e concluiu em seu relatório que não houve mandantes no crime. Cairo acompanhou essa investigação e também será ouvido a respeito desse assunto.

Os delegados Cairo e Morais estiveram em Brasília nesta quinta-feira para conversar com o novo diretor-geral da PF Rolando Alexandre de Souza sobre o novo relatório do caso Adélio. O documento concluiu que Adélio agiu sozinho e que não houve mandante, mas o presidente Bolsonaro tem insistido na hipótese de que haveria pessoas responsáveis pelo crime.

Além deles, o delegado Carlos Henrique Oliveira, ex-superintendente da PF do Rio de Janeiro que confirmou aos investigadores a existência de um inquérito contra o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) na PF do Rio, pediu para ser ouvido novamente. Seu depoimento foi marcado também para a quarta-feira.