PF pede ao STF que Guedes seja investigado em inquérito de Renan Calheiros

A Polícia Federal (PF) pediu ao ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), a inclusão do ministro da Economia, Paulo Guedes, como investigado em inquérito que tem como alvo o senador Renan Calheiros (MDB-AL), por suspeitas de irregularidades envolvendo o Postalis, o fundo de pensão dos funcionários dos Correios. A PF pediu também autorização para a produção de um relatório de inteligência financeira das empresas dele no período que vai de janeiro de 2010 a dezembro de 2016.

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O GLOBO procurou o Ministério da Economia para ver se Guedes gostaria de comentar o pedido da PF. A orientação dada foi buscar a defesa do ministro. Os advogados de Guedes, Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, negam que a PF suspeite do ministro e afirmam que " o próprio Judiciário e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) já destacaram que não houve qualquer indício de irregularidade ou crime relacionado ao Ministro Paulo Guedes", afirmaram em nota, questionado objetivo deste pedido: "Restou ao delegado trazer a discussão para a imprensa. A dúvida continua: por que o delegado quis envolver um ministro de estado em uma investigação que não guarda qualquer relação com essa autoridade, manipulando a verdade dos fatos na tentativa de induzir em erro um Ministro do STF, presidente do inquérito em questão?"

Antes de pedir a investigação de Guedes, a PF tinha tentado ouvir o ministro como testemunha. Mas, esta semana, a pedido da defesa de Guedes, Barroso cancelou o depoimento que tinha sido marcado para ouvir o ministro. Seus advogados argumentaram que não haviam achado no processo citação a Guedes. No pedido feito agora ao STF para investigá-lo, a PF rebateu e disse que um dos advogados dele se encontrou com o delegado no começo de maio, e que, neste momento, ele teria sido informado dos motivos que o ministro era chamado como testemunha.

Segundo a PF, foi Márcio André Mendes Costa, um empresário no ramo de educação, quem envolveu Guedes no caso. Em depoimento, Costa afirmou que, em fevereiro de 2011, a empresa que comandava fez um lançamento de debêntures no mercado financeiro.

Ele disse que o fundo BR Educacional, que era gerido por Guedes, teria recebido antes um aporte de recursos do Postalis. Assim, Costa foi conversar com Guedes, que então sugeriu que Costa apresentasse debêntures também à Postalis.

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O fundo dos Correios acabou de fato investindo na empresa de Costa. Na época, Guedes não era ministro da Economia, cargo que passou a ocupar em janeiro de 2019.

A PF afirma que a partir do teor de depoimento, e de reportagens jornalísticas da época, que levantaram suspeitas sobre "os excessivos ganhos do fundo criado por Paulo Guedes que extraordinariamente alavancou recursos milionários", é necessário colher o depoimento do ministro. Também disse que será feito um cruzamento de dados e relatórios de inteligência financeira das empresas de Guedes.

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Uma das reportagens citadas pela PF diz que, em seis anos, Guedes captou R$ 1 bilhão de fundos de pensão de funcionários de empresas estatais geridos por indicados do PT e do MDB.

"O delegado finalmente deixou claro que o único objetivo dessa oitiva era expor o Ministro da Economia. A defesa, quando compareceu à Polícia Federal, teve o seu acesso aos autos negado pela autoridade policial, sob o argumento de não ser o ministro Paulo Guedes investigado. Em razão disso, os advogados peticionaram, para quem de fato e de direito preside o inquérito, ou seja, Ministro Luís Roberto Barroso, requerendo o cancelamento da oitiva ou a justificativa para a intimação, nesse caso, dando-se acesso aos autos", informaram os advogados, em nota. "A PGR, como destacou o Ministro presidente do inquérito, não viu sentido na oitiva do Ministro Paulo Guedes, razão pela qual o depoimento foi cancelado. O pedido do delegado é tão abusivo e irresponsável que tenta se aproveitar para fazer uma devassa de 6 anos na vida do Ministro", afirma o documento assinado pelos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, representantes de Paulo Guedes.

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