PF prende militares e mulher de sargento flagrado com cocaína em avião da FAB na Espanha

Filipe Vidon
·3 minuto de leitura

RIO - A Polícia Federal (PF) cumpriu na manhã desta quinta-feira mandados de busca e de prisão de três militares da Aeronáutica e uma civil, que estariam envolvidos no esquema que traficou 39 quilos de cocaína em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), em junho de 2019, que tinha como destino a Espanha.

Segundo o Ministério Público Militar (MPM), foram detidos preventivamente o tenente-coronel Alexandre Augusto Piovesan, sargento Márcio Gonçalves de Almeida, sargento Jorge Luis da Cruz Silva e Wikelaine Nonato Rodrigues, mulher do sargento Manoel Silva Rodrigues, que foi preso em flagrante fazendo o transporte da droga. Um ex-soldado da Aeronáutica, cunhado do militar preso na Espanha, também com prisão decretada, não foi encontrado.

Após um pedido de desarquivamento do Inquérito Policial Militar solicitado pelo MPM, escutas telefônicas revelaram novas provas de que o grupo teria participado das ações para traficar entorpecentes, além do envolvimento de outros militares.

“Pelo menos em duas oportunidades, no dia 30/4/2019 e 25/6/2019, quando foi preso, o sargento transportou considerável quantia de substâncias entorpecentes para a Madrid e Sevilha, na Espanha. Também surgiram indícios fortes do envolvimento de outros militares na prática ilícita de transporte de substâncias entorpecentes para o exterior”, declarou o órgão em nota.

Os mandados de prisão atendem pedido da 2ª Procuradoria de Justiça Militar em Brasília. A decisão foi proferida pela 2ª Auditoria da 11ª Circunscrição Judiciária Militar Justiça Militar da União. Na operação de hoje também foram apreendidos computadores, celulares e documentos dos militares presos e da mulher do sargento Manoel Silva Rodrigues.

Essas são as primeiras prisões após o início das investigações sobre o tráfico de entorpecentes em aviões da FAB. Em fevereiro, a PF deflagrou uma operação para investigar a associação criminosa que estaria por trás do esquema. Na época, 15 mandados de busca e apreensão e dois mandados que restringem a comunicação dos investigados foram cumpridos, mas ninguém havia sido preso.

De acordo com a PF, as investigações já apontavam para "diversas estratégias do grupo criminoso" para ocultar os bens obtidos por meio do tráfico de drogas, "especialmente a aquisição de veículos e imóveis com pagamentos de altos valores em espécie”.

Em junho de 2019, o segundo-sargento da Aeronáutica Manoel Silva Rodrigues, de 38 anos, foi preso no aeroporto em Sevilha por portar 39 quilos de cocaína em sua bagagem, traficada dentro de um avião da FAB a serviço de uma missão presidencial – a viagem do presidente Jair Bolsonaro para o Japão, onde participa das reuniões do G-20, o grupo dos 20 países mais ricos do mundo.

O avião dava suporte à missão presidencial, e fazia uma escala na Espanha. Rodrigues atuava como comissário de bordo em voos oficiais da Aeronáutica. Como segundo-sargento, ele recebia um salário bruto de R$ 7,2 mil.

No ano passado, o militar foi condenado por uma tribunal de Sevilha. Inicialmente, a pena pedida pelo Ministério Público era de oito anos de prisão, além de uma multa de quatro milhões de euros. Mas, em acordo com a promotoria espanhola, aceitou uma sentença de seis anos e um dia de prisão, além de uma multa de dois milhões de euros (cerca de R$ 9,5 milhões). Na oportunidade, ele confessou o crime e afirmou estar "profundamente arrependido".