PF prende no Rio dono de empresa de bitcoin envolvido em golpes bilionários de pirâmide financeira

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A Polícia Federal faz na manhã desta quarta-feira uma operação para desarticular uma organização criminosa responsável por fraudes bilionárias envolvendo criptomoedas. Na ação de hoje, denominada Kryptos, cerca de 120 agentes cumprem sete mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 15 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará e no Distrito Federal. Entre os presos está o dono da GAS Consultoria Bitcoin, Glaidson Acácio dos Santos. Agentes que estão na operação dentro da casa de Glaidson, em condomínio na Barra da tijuca, na Zona Oeste do Rio, dizem que nunca viram tanto dinheiro numa operação, nem mesmo na Lava-Jato. O montante chegaria a cerca de 20 milhões, entre reais, euros e dólares.

De acordo com a investigação, a empresa de Glaidson, com sede na Região dos Lagos (RJ), é responsável pela operacionalização de um sistema de pirâmides financeiras ou "esquemas de ponzi", calcado na efetiva oferta pública de contrato de investimento, sem prévio registro junto aos órgãos regulatórios, vinculado à especulação no mercado de criptomoedas, com a previsão de insustentável retorno financeiro sobre o valor investido.

Dinheiro virtual:

Nos últimos seis anos, a movimentação financeira das empresas envolvidas nas fraudes apresentou cifras bilionárias, sendo certo que aproximadamente 50% dessa movimentação ocorreu nos últimos 12 meses, diz a PF. Glaidson prometia lucros de 10% ao mês nos investimentos em bitcoins, mas os investigadores afirmam que a GAS nem sequer reaplicava os aportes em criptomoedas, enganando duplamente os investidores.

Em grupos de investidores em moedas virtuais, muitas pessoas estão desesperadas com a possível perda do dinheiro investido.

"Agora o que resta é lamentar. Eu acabei de passar em frente ao prédio dele (em Cabo Frio) e está aqui a Polícia Federal, a Receita Federal. Todos eles armados e parece que vai prender uma pessoa de uma facção gigantesca do Rio. Não era para levar para a imprensa. Trouxeram o foco para Cabo Frio. A GAS que nunca teve problema com ninguém agora, provavelmente, não vai pagar para mais ninguém. Agora, é chorar", postou um investidor. Um segundo escreveu: "Muito triste isso".

O GLOBO apurou que muitas pessoas investiam seu dinheiro com o empresário. Entre eles estariam políticos, policiais, empresários e comerciantes da região.

No domingo, o Fantástico, da TV Globo, mostrou que a GAS era investigada há dois anos pelo esquema, mas se disfarçava de consultoria em bitcoins, uma moeda digital

Os mandados foram expedidos pela 3ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro e decorreram de um esforço conjunto entre a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Receita Federal.

No início do mês, o EXTRA mostrou que a Região dos Lagos é o foco de investigações nesse mercado financeiro de moeda digital que explodiu em Cabo Frio e vem sendo chamado de Novo Egito, em alusão à corrida pelo ouro no país africano.

Os investigados poderão responder, na medida das suas responsabilidades, pelos crimes de gestão fraudulenta/temerária instituição financeira clandestina, emissão ilegal de valores mobiliários sem registro prévio*, organização criminosa e lavagem de capitais, e, se condenados, poderão cumprir pena de até 26 anos de reclusão.

O nome da operação, Kryptos, vem do termo grego para designar o "oculto' ou o 'escondido".

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