PF reabre inquérito sobre facada em Bolsonaro para analisar nova evidência em busca de mandante

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A Polícia Federal reabriu na quinta (25) o inquérito que vista descobrir se houve um mandante do atentado contra Bolsonaro.
A Polícia Federal reabriu na quinta (25) o inquérito que vista descobrir se houve um mandante do atentado contra Bolsonaro. (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes)

A Polícia Federal reabriu a investigação que mira Adélio Bispo, autor da facada no então candidato Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018. 

A retomada vem após o Tribunal Regional Federal da 1ª Região autorizar a investida contra Zanone Manuel de Oliveira Júnior, um dos advogados de Bispo e alvo de busca e apreensão em dezembro de 2018. 

O delegado Rodrigo Morais Fernandes vai analisar os dados bancários e o conteúdo do celular apreendido com o defensor para avançar na última lacuna do caso, sobre se houve mandante para o ataque contra Bolsonaro. 

A PF espera, a partir da análise dos dados, ter respostas definitivas sobre porque ele assumiu o caso uma vez que Bispo não tinha condições financeiras para manter pagá-lo. ​ 

O objetivo é apurar se Oliveira Júnior recebeu de terceiros para assumir a defesa ou seu interesse era apenas midiático, por se tratar de um processo que daria visibilidade ao advogado. 

A investigação sobre a atuação do advogado estava parada desde março de 2019, quando o TRF-1 acatou liminarmente um pedido da OAB cujo argumento era a suposta violação do sigilo funcional da defesa. 

No último dia 3 de novembro, a 2ª seção do tribunal suspendeu a liminar por 3 votos a 1. 

Advogado já trocou de celular 'mais de 20x' e não teme análise da PF

Zanone revela que já trocou de celular "mais de 20 vezes" desde o episódio. E diz não temer a retomada de investigações sobre seu aparelho.

Zanone, no entanto, vai acionar o STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar bloquear a devassa. "Ela é uma agressão a todos os advogados do país. Em meu celular estão conversas com todos os meus clientes, que têm direito à confidencialidade. É uma cláusula absoluta da democracia", afirma.

A Polícia Federal reabriu na quinta-feira (25) o inquérito que vista descobrir se houve um mandante do atentado contra Bolsonaro. A informação foi antecipada pelo jornal Folha de S.Paulo.

Os policiais pretendem analisar dados do celular do advogado de Adélio, além de dados bancários, para tentar descobrir quem pagou os honorários da defesa, já que Bispo não tinha condições de arcar com os custos. "Eu acredito que não vão encontrar nada", afirma Zanone. "Eu troco de telefone a cada dois meses", afirma ele.

O advogado classifica a medida de quebra de seu sigilo como "absurda" e um atentado não apenas à advocacia, mas à cidadania.

O segredo de conversas entre defensores e seus clientes é considerado um pilar do direito de defesa e, portanto, do Estado Democrático de Direito. "Tenho conversado com advogados do Brasil inteiro, e todos eles, mesmo os mais bolsonaristas, se sentem agredidos", diz Zanone.

Ele afirma que não vai, em hipótese alguma, revelar quem o contratou para defender Adélio Bispo. "Eu já avisei [a quem pagou] que, quanto à confidencialidade, ela está garantida", diz ele.

O defensor sustenta que uma pessoa ligada a uma igreja frequentada por Adélio Bispo o procurou para defender o autor da facada.

Houve um acerto para o pagamento de R$ 25 mil reais de honorários. Mas apenas R$ 5 mil foram desembolsados. "Com a confusão que se criou, eu disse na época à pessoa que nem precisava pagar o restante", afirma ele.

Caso a PF descubra o nome de quem financiou a defesa, diz o advogado, caberá à pessoa dar explicações.

A investigação sobre a atuação do advogado estava parada desde março de 2019, quando o TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) acatou liminarmente um pedido da OAB cujo argumento era a suposta violação do sigilo funcional da defesa.

No último dia 3 de novembro, a 2ª seção do tribunal suspendeu a liminar por 3 votos a 1, o que permitiu a reabertura do inquérito.

da Folhapress

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