PF reduz investigações sobre grupos de extermínio

Vinicius Sassine

BRASÍLIA — A Polícia Federal (PF) desidratou as investigações sobre a atuação de grupos de extermínio nos últimos dois anos. O esvaziamento foi iniciado a partir de uma decisão administrativa tomada no governo de Michel Temer e que se estende pelos primeiros 11 meses do governo de Jair Bolsonaro. Uma reestruturação em curso nas coordenações na sede da PF selará o destino da área responsável por coordenar e investigar casos de execuções sumárias de vítimas, empreendidas principalmente por policiais militares. Hoje, essa área está num limbo, sem atuação.

A partir de 2011, uma unidade criada no âmbito da diretoria-geral da PF passou a cuidar de investigações sobre grupos de extermínio. A grande maioria desses grupos criminosos é formada por policiais militares e policiais civis, o que gera dificuldades de investigação pelas superintendências da PF nos estados, em razão da proximidade na atuação das polícias. A área criada, assim, tinha uma função que extrapolava a coordenação de atividades. A equipe cuidava diretamente de apurações, o que levou à deflagração de pelo menos 12 operações ao longo desses anos, em Goiás, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Bahia, Paraíba, Rondônia, Acre e Rio.