PF do Rio intima Paulo Marinho a prestar depoimento amanhã

Juliana Dal Piva
O empresário Paulo Marinho, que ajudou a coordenar a campanha de Jair Bolsonaro à Presidência

RIO - O empresário Paulo Marinho foi intimado nesta terça-feira para prestar depoimento da Superintendência da Polícia Federal do Rio em um novo procedimento de investigação instaurado para apurar eventual participação de servidores no vazamento de informações sobre a Operação Furna da Onça. A intimação é para que ele vá prestar esclarecimentos e provas nesta quarta-feira.

Segundo o empresário, em relato publicado no jornal "Folha de S. Paulo" no último domingo, o senador Flávio Bolsonaro foi informado por um delegado da Polícia Federal, entre o primeiro e o segundo turnos da eleição de 2018, que seria deflagrada a Operação Furna da Onça, que continha um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que mostrava a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta de Fabrício Queiroz, então assessor do Flávio.

Por causa desse relatório, Queiroz passou a ser investigado por operar um esquema de "rachadinha" no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Segundo o relato de Paulo Marinho, foi o próprio senador que o procurou para contar sobre o episódio do vazamento depois que o caso veio à tona em dezembro de 2018. Na ocasião, ele estava acompanhado do advogado Victor Granado Alves, seu então assessor parlamentar na Alerj.

O GLOBO apurou que o depoimento de Marinho ocorrerá para este procedimento e, de modo independente, em relação a uma investigação da Corregedoria que vai ouvir ainda os delegados e policiais que participaram das investigações da operação “Furna da Onça”. A opção foi feita para dar celeridade ao caso. Entre os que serão ouvidos está a delegada Xênia Soares, presidente do inquérito na PF, e os policiais que trabalharam na investigação.

Entre os citados por ele na reunião em que Flávio teria relatado o vazamento, apenas Marinho foi intimado. Após o seu depoimento e eventual apresentação de provas, isso será reavaliado para ouvir novos depoimentos.

Xênia Soares é delegada desde 2009 e também atuou na Operação “Cadeia Velha”, em novembro de 2017, responsável pela prisão de Jorge Picciani, então presidente da Alerj, e os deputados estaduais Paulo Melo e Edson Albertassi. Na ocasião, a “Cadeia Velha” teve comando na PF de Alexandre Ramagem.

A “Furna da Onça” foi uma operação que ocorreu em um desdobramento da anterior e prendeu outros 10 deputados estaduais sob acusação de recebimento de propina e compra de votos no governo de Sérgio Cabral.

Ramagem é atualmente diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o nome que o presidente Jair Bolsonaro queria para a direção-geral da PF. A escolha foi barrada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes depois das acusações de Sergio Moro de que as trocas seriam uma interferência política na corporação.