PF vai investigar denúncia de Contarato após ataque e exposição do filho do senador nas redes sociais

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
·5 min de leitura
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.

RIO - O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) registrou nesta segunda-feira um boletim de ocorrência na Polícia Federal no Espírito Santo após ser fotografado e exposto nas redes sociais ao lado do filho Gabriel, de 7 anos, enquanto estavam em uma praia.

O parlamentar aproveitava sua folga na Praia de Itapuã, no município capixaba de Vila Velha, neste feriado da proclamação da República. No local, ele foi fotografado por um homem identificado como Giovani Loureiro, que compartilhou a imagem em seu Facebook e atacou o senador. A publicação se referia a Contarato como "lixo" e "infeliz", além de insinuar que o senador levou seu filho adotivo para "fazer marketing".

"Eu agora a pouco [sic] na minha praia e vem esse infeliz " [sic] sem vergonha, e ainda traz o filho adotivo pra fazer 'marketing'! Aqui no ES esse Senador de merda jamais será reeleito!!! Fora Contarato!! Lixo", escreveu Loureiro no post. "Fui muito infeliz em votar em você, meu maior arrependimento", complementa.

Segundo Contarato, seu filho havia pedido para ir ao local após seu pai passar dias longe da família em razão de missão oficial na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-26), que aconteceu na capital escocesa Glasgow. O parlamentar recebeu o print da publicação horas após deixar o local.

"Nada foi tão doloroso, porém, quanto ver seu ultraje gratuito contra o Gabriel, uma criança inocente de sete anos, que teve sua imagem exposta nas redes e foi menosprezado apenas por ser meu filho e, sobretudo, por ser fruto de uma adoção. O ódio é uma doença perversa: desumaniza suas vítimas e as submete a toda sorte de violência", afimou o senador em nota.

Contarato disse ainda que não tolerará "qualquer ato de agressão aos meus filhos e à minha família" e que não vai se intimidar com "esses ataques desprezíveis".

"Espero que, caso o Sr. Giovani Loureiro seja pai, possa refletir sobre esse ato infame e não repita essa vileza contra crianças inocentes, que não podem ser detratadas por querelas de ordem política. Ps interesses de menores indefesos devem ser colocados acima de tudo isso", concluiu.

Contarato, que é homossexual, já havia sido vítima de um ataque homofóbico exposto por ele durante a CPI da Covid. Na ocasião, o senador fez um discurso emocionado em reação a um post do empresário Otávio Fakhoury, que depôs à comissão.

Fakhoury usou um erro de grafia de Contarato, que empregou a palavra "fragrancial" em vez de "flagrancial", para atacar o senador. "O delegado homossexual assumido talvez estivesse pensando no perfume de alguma pessoa ali daquele plenário. Quem seria o perfumado que o cativou?", publicou o empresário.

— O senhor pode ter todo o dinheiro do mundo. Tenho minha vida modesta com muito orgulho, cuidando da minha família, meu esposo, meus dois filhos. Eu quero que eles tenham a certeza de que lutei, continuo lutando para diminuir essa desigualdade no Brasil. Eu aprendi que orientação sexual não define caráter, cor da pela não define caráter, poder aquisitivo não define caráter — disse Contarato na época.

Leia a nota de Contarato na íntegra:

Após cumprir missão oficial na COP-26 e passar dias longe de minha família, recebi, na manhã desta segunda-feira (15), um pedido irrecusável do meu filho Gabriel, de sete anos: “Papai, me leva na praia pra fazer castelinho de areia!”, disse ele.

Já fui vítima de inúmeros radicais bolsonaristas, que se sentem autorizados a assediar aqueles que rejeitam suas teses políticas anti-civilizatórias. Ainda que ninguém tenha direito de constranger alguém por divergências políticas, sempre entendi se tratar de um preço a ser pago por ter optado pela vida pública.

Receando alguma intercorrência dessa natureza, assenti ao pedido de meu filho, advertindo-o de que teríamos que deixar a praia, caso alguém nos importunassse durante o passeio. Fomos, então, à Praia de Itapuã, hoje, por volta das 11h30, e fiquei feliz por proporcionar esse momento módico de lazer ao meu pequeno Gabriel.

Tudo parecia correr bem: retornamos, após esse breve passeio recreativo, sem qualquer inconveniente. Algumas horas depois, recebi um print, primeiro no Whatsapp e, após, em minha conta no Instagram, dando conta de uma postagem preconceituosa que me agredia e destilava inadmissível ódio contra meu pequeno Gabriel.

A postagem do Sr. Giovani Loureiro me chamava de “lixo”, “traidor”, “infeliz”, “sem vergonha” e “senador de merda”. Nada foi tão doloroso, porém, quanto ver seu ultraje gratuito contra o Gabriel, uma criança inocente de sete anos, que teve sua imagem exposta nas redes e foi menosprezado apenas por ser meu filho e, sobretudo, por ser fruto de uma adoção. O ódio é uma doença perversa: desumaniza suas vítimas e as submete a toda sorte de violência.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em seu art. 18, diz ser “dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor”.

Não tolerarei qualquer ato de agressão aos meus filhos e à minha família. Não me intimidarão com esses ataques desprezíveis. Registrei um boletim de ocorrência na Polícia Federal, hoje, e providenciarei a responsabilização do autor desta agressão.

Espero que, caso o Sr. Giovani Loureiro seja pai, possa refletir sobre esse ato infame e não repita essa vileza contra crianças inocentes, que não podem ser detratadas por querelas de ordem política. Ps interesses de menores indefesos devem ser colocados acima de tudo isso.

Em minha casa, o amor sempre vencerá o ódio!

Fabiano Contarato

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos