Pfizer adia entrega da vacina anticovid a oito países europeus

Alvaro VILLALOBOS com redações da AFP no mundo
·4 minuto de leitura
Médico do hospital São João, na cidade do Porto, exibe vacina contra a covid-19

O transporte das vacinas contra a covid-19 para oito países europeus sofrerá um pequeno atraso por um problema logístico, enquanto nos Estados Unidos o presidente Donald Trump finalmente assinou o plano de alívio econômico que estabelece novas ajudas a empresas e pessoas afetadas pela pandemia.

O atraso no envio das vacinas foi anunciado pelo Ministério espanhol da Saúde e pelo próprio grupo farmacêutico, um dia depois do início da campanha de imunização em vários países da União Europeia (UE), o que gerou esperanças contra uma doença que já infectou mais de 80 milhões de pessoas no planeta e matou mais de de 1,76 milhão.

"Devido a um pequeno problema de logística, modificamos o cronograma de um número limitado de entregas. A questão de logística foi resolvida, e as entregas estão sendo despachadas. Não há problemas de fabricação", disse o diretor global de comunicações da Pfizer, Andrew Widger.

Um dos países mais afetados da Europa com 50.000 mortos, a Espanha deveria receber nesta segunda-feira 350.000 doses da vacina fabricada pelos laboratórios Pfizer e BioNTech.

"A Pfizer Espanha indica que foi informada por sua fábrica de Puurs (Bélgica) sobre o atraso nos envios para oito países, incluindo a Espanha, devido a um problema no processamento de carga e envio", afirma o Ministério em um comunicado, que não revela os demais países afetados, o que o laboratório também não fez.

O próximo carregamento de vacinas chegará à Espanha na terça-feira, acrescentou o Ministério.

A Europa é a região mais afetada do mundo, com mais de 25,4 milhões de casos e quase 550.000 vítimas fatais.

Além da vacina Pfizer/BioNTech, a UE deve aprovar outros fármacos em breve, como a da AstraZeneca e Oxford, provavelmente em 6 de janeiro.

- "Ponto crítico" -

País mais afetado no mundo pela pandemia, os Estados Unidos superaram no domingo a marca de 19 milhões de casos, com mais de 333.100 mortes relacionadas com o vírus.

O presidente Donald Trump assinou finalmente no domingo o novo plano de ajuda para a economia americana aprovado pelo Congresso após meses de complexas negociações.

A Casa Branca anunciou que Trump assinou a lei "para restaurar o seguro-desemprego, interromper os despejos, fornecer assistência de aluguel, adicionar dinheiro para os programas de empréstimos para empresas, devolver nossos funcionários do setor aéreo a seus empregos, adicionar substancialmente mais dinheiro para a distribuição de vacinas, e muito mais".

Durante dias, Trump se recusou a assinar o pacote e, no domingo, continuou pressionando para que os cheques destinados aos contribuintes com mais dificuldades econômicas aumentem dos US$ 600 estipulados inicialmente para US$ 2.000.

O principal especialista em doenças infecciosas do governo americano, Anthony Fauci, alertou no domingo que o pior da pandemia ainda pode estar por chegar. O país se verá em um "ponto crítico", segundo ele, devido à propagação do vírus durante as viagens feitas no período de Natal.

Mais de um milhão de pessoas receberam a primeira dose da vacina no país nos Estados Unidos, na maior campanha de imunização da história americana, mas as autoridades admitiram que o ritmo de aplicação está um pouco abaixo do previsto.

- Sem fogos de artifício -

Antes da UE, muitos países começaram a vacinar contra o coronavírus, começando pela China, no verão (hemisfério norte, inverno no Brasil). Em dezembro, Rússia, Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, Suíça, México, Costa Rica e Chile iniciaram a imunização.

Paralelamente à vacinação, no entanto, cada vez mais países detectam casos da nova cepa do coronavírus, possivelmente mais contagiosa, descoberta no Reino Unido.

Canadá, Itália, Suécia, Espanha, Portugal, Japão e Coreia do Sul estão entre os casos mais recentes de detecção da variante.

Durante o fim de semana, vários países voltaram a instaurar restrições, incluindo o território britânico de Gibraltar, que anunciou um toque de recolher noturno.

Israel iniciou no domingo um severo terceiro confinamento. O Exército do país começou a vacinar os soldados nesta segunda-feira, com 17 tendas para a campanha em diversos pontos do território. Até o momento 380.000 pessoas receberam a primeira dose no Estado hebreu.

A Arábia Saudita, o país árabe do Golfo mais afetado pela pandemia, anunciou a prorrogação por uma semana do fechamento de suas fronteiras terrestres e marítimas e da suspensão dos voos internacionais, devido à variante britânica do coronavírus.

Diante da ameaça de um novo surto do vírus com a chegada do inverno, a China, onde o coronavírus foi detectado pela primeira vez no fim do ano passado, reforçou os controles médicos, com verificação da temperatura, testes e inspeções nos aeroportos.

E a despedida de um ano difícil dentro de três dias acontecerá sem grandes celebrações.

Na Austrália, os moradores de Sydney não poderão comparecer à baía da cidade para contemplar o tradicional espetáculo de fogos de artifício após o aumento de casos na cidade, a mais populosa do país.

burs-avl/bc/mar/fp/tt