Pfizer afirma que sua vacina contra covid-19 é '90% eficaz'

Marlowe HOOD, Anna PELEGRI
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A Pfizer afirma que a vacina é um 'avanço muito necessário' na luta contra a covid-19
A Pfizer afirma que a vacina é um 'avanço muito necessário' na luta contra a covid-19

O laboratório farmacêutico Pfizer anunciou nesta segunda-feira que sua vacina contra a covid-19 é "90% eficaz", de acordo com a primeira análise intermediária do teste de fase 3, a última etapa antes do pedido formal de homologação.

Esta eficácia de proteção ao vírus SARS-CoV-2 foi alcançada sete dias depois da segunda dose da vacina e 28 dias após a primeira, informaram o grupo americano farmacêutico e a empresa alemã de biotecnologia BioNTech em um comunicado conjunto.

O anúncio promissor provocou uma alta das Bolsas europeias e foi recebido como uma "grande notícia" pelo presidente americano Donald Trump. O presidente eleito Joe Biden destacou um novo sinal de "esperança", mas alertou que ainda resta uma longa batalha pela frente.

"Os primeiros resultados da fase 3 de nosso teste de vacina contra a covid-19 apresentam as provas iniciais da capacidade de nossa vacina de prevenir esta doença", afirmou o presidente da Pfizer, Albert Bourla.

"Demos um passo importante e estamos mais perto de prover aos cidadãos do mundo esta vacina, tão necessária para contribuir a acabar com esta crise sanitária mundial", completou.

No momento, as infecções de covid-19 registram recordes em vários países, com hospitais próximos do colapso e o aumento do número de mortes. Muitos países da Europa recorrem novamente ao confinamento.

Desde o início da pandemia, mais de 50 milhões de casos foram diagnosticados no mundo e mais de 1,2 milhão de mortes foram registradas.

- Acordos nos EUA e na Europa -

"Os primeiros resultados da fase 3 do nosso ensaio da vacina para covid-19 fornecem evidências iniciais da capacidade da nossa vacina para prevenir" esta doença, disse o presidente da Pfizer, Albert Bourla. 

"Demos um passo importante e estamos mais próximos de fornecer aos cidadãos do mundo" esta vacina, tão "necessária para contribuir para acabar com esta crise de saúde global", acrescentou. 

O nível de eficácia da vacina foi medido pela comparação do número de participantes infectados com o novo coronavírus no grupo que recebeu a vacina e entre aqueles que foram submetidos a um placebo, de acordo com a declaração conjunta. 

Com base nas projeções, as duas empresas afirmaram que esperam fornecer 50 milhões de doses em todo o mundo em 2020 e até 1,3 bilhão em 2021. 

A Comissão Europeia fechou acordo em setembro para a compra de 200 milhões de doses dessa vacina, com opção de compra de 100 milhões de doses suplementares. 

Os Estados Unidos também assinaram contrato para fornecimento de 100 milhões de doses. 

A fase 3 do ensaio clínico da nova vacina da Pfizer, BNT162b2, começou no final de julho e já inscreveu 43.538 pacientes. 

A Pfizer informou que está coletando dados de acompanhamento para os dois meses após a segunda dose, uma exigência da Food and Drug Administration (FDA, reguladora dos EUA) para autorizar seu uso de emergência, o que pode acontecer na terceira semana de novembro.

- Um método inovador -

"Esperamos compartilhar dados adicionais de eficácia e segurança para milhares de participantes nas próximas semanas", de acordo com Bourla.

A vacina Pfizer/BioNTech é baseada em um sistema inovador que envolve a injeção no corpo de instruções genéticas chamadas de RNA mensageiro, que informam às células quais proteínas fazer para combater o vírus. 

Embora o ensaio ainda não tenha sido submetido ao exame de outros especialistas, os chamados "revisados por pares", alguns cientistas reagiram positivamente, mas com cautela aos resultados. 

O renomado epidemiologista Anthony Fauci, diretor do Instituto de Doenças Infecciosas americano, descreveu a notícia como "extraordinária" e lembrou que outra empresa farmacêutica, Moderna, utiliza uma técnica semelhante em seu projeto, o que "dá esperanças para contar inclusive com duas vaicnas", segundo disse ao jornal Washignton Post.

Eleanor Riley, professora de Imunologia e Doenças Infecciosas da Universidade de Edimburgo, lamentou que os resultados desta segunda-feira não detalhem a idade dos participantes. 

Se o objetivo de uma vacina é "reduzir a mortalidade e os casos mais graves e, portanto, permitir que a população volte a uma vida normal, ela deve ser eficaz entre os idosos", afirmou.

Outros especialistas apontaram para problemas logísticos na hora de fornecer esta vacina, que deve ser mantida a uma temperatura muito baixa, a -70 graus Celsius e requer duas doses.

Pfizer e BioNTech são as primeiras publicar o resultado da análise intermediária da fase três, mas de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) outros nove projetos de vacina estão na mesma etapa. 

A farmacêutica americana Moderna, vários laboratórios estatais da China e a Universidade de Oxford em parceria com o laboratório AstraZeneca coordenam alguns programas.

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