Pfizer diz que não negocia vacina com estados em paralelo e mantém diálogo com governo federal

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Foto: JUSTIN TALLIS / STF

A Pfizer Brasil negou nesta terça-feira a existência negociações paralelas com estados brasileiros para o fornecimento de doses de sua vacina contra a Covid-19, desenvolvida em parceria com o laboratório alemão BioNTech e disse manter o diálogo aberto com o governo federal. Na última segunda-feira, em entrevista à rádio CBN, o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Carlos Lula, afirmou que a farmacêutica americana procurou a entidade após enfrentar dificuldades na interlocução com o Ministério da Saúde.

Em comunicado, a Pfizer afirma que recebeu alguns contatos de governos estaduais, mas ressaltou que tem atuado diretamente com governos federais "em todo o mundo para que sua vacina possa ser uma opção na luta contra a pandemia". Nesse sentido, por aguardar uma definição do governo brasileiro, "não procede a informação de que a empresa mantém negociações paralelas com governos estaduais".

Na entrevista à CBN, Lula, que também é secretário de Saúde do Maranhão, disse que a "maioria dos estados" estaria participando do diálogo e que o interesse do Conass é que a negociação fosse mediada pelo governo federal. Mas, diante do quadro de impasse, o presidente da entidade disse que o conselho não esperaria "de braços cruzados".

A negociação entre a Pfizer e o governo federal é entrelaçada por impasses e ruídos. Em 8 de dezembro, pressionado pela início da vacinação no Reino Unido com a fórmula da companha, o Ministério da Saúde informou que as tratativas com a empresa haviam "avançado muito" na direção da aquisição de 70 milhões de doses do imunizante.

No dia seguinte, em entrevista à CNN Brasil, o ministro Eduardo Pazuello afirmou que a campanha de vacinação brasileira poderia começar em dezembro, o que não aconteceu, e chegou a mencionar a chegada de 500 mil doses do imunizante da Pfizer em janeiro, ainda que não houvesse formalização de compra e nem autorização de uso emergencial pela Anvisa. O anúncio causou desconforto na companhia, que manteve negociações com o governo.

Mais recentemente, diante da reticência da Saúde em bater o martelo pela aquisição de doses da vacina, que já é utilizada por países latino-americanos como Chile, Costa Rica e México, a empresa anunciou que só formalizará um pedido de autorização de uso emergencial junto à Anvisa caso a pasta confirme a compra das vacinas.