Pfizer fecha acordo para fabricação de versões genéricas de seu remédio contra covid

·2 min de leitura
Brussels, Belgium. 21st December 2020. Exterior view of Pfizer Pharmaceutical company's offices.
Foto: Getty Images
  • 95 países poderão manufaturar o medicamento

  • Brasil não está na lista e poderá pagar mais caro pelo Paxlovid

  • País também está de fora da lista de outro medicamento, da MSD

Nesta terça-feira (16), a farmacêutica norte-americana Pfizer anunciou que firmou um acordo de licença voluntária que permitirá a fabricação e fornecimento de genéricos de seu comprimido contra a covid-19, o Paxlovid.

Com isso, fabricantes de medicamentos genéricos ao redor do mundo que obtenham uma sub-licença poderão manufaturar o remédio e fornecê-lo a 95 países. No entanto, o Brasil não está entre essas Nações e terá que comprar o medicamento direto da Pfizer, que serão provavelmente mais caros que as versões genéricas.

Felipe Carvalho, coordenador da campanha da ONG Médicos Sem Fronteiras pelo acesso a medicamentos no Brasil afirmou ao jornal norte-americano The New York Times que é “escandaloso” que o Brasil não integre a lista.

“É escandaloso que um país com uma carga pesada [na pandemia] como o Brasil seja mais uma vez deixado para trás no acesso ao tratamento”, disse.

O coordenador lembrou ainda que 75% dos brasileiros dependem exclusivamente do SUS, mesmo que o Brasil seja considerado um país de renda média alta.

Agora, os fabricantes de genéricos têm até o dia 6 de dezembro para manifestar interesse em fabricar o remédio. Fabricantes brasileiros poderão participar, mas suas "versões" do medicamento só poderão ser exportadas – e não vendidas para o mercado nacional, de acordo com a agência de notícias Associated Press.

O acordo estabelece que a Pfizer não receberá royalties – espécie de "direito autoral" – sobre as vendas em países de baixa renda e renunciará a eles nas vendas em todos os países cobertos pelo trato, enquanto a covid-19 permanecer uma emergência de saúde pública.

No começo de novembro, a farmacêutica norte-americana havia anunciado que seu comprimido experimental contra a covid-19, o Paxlovid, reduziu o risco de hospitalização ou morte pela doença em 89%. O medicamento é usado em combinação com o ritonavir, um antiviral usado para o tratamento do HIV. No Brasil, testes com o remédio começaram na semana passada.

Outra medicação que teve bons resultados nas fases de teste é a da farmacêutica Merck, – conhecida no Brasil como MSD, que em outubro também anunciou um acordo para fabricação de genéricos de seu comprimido contra a covid-19, o molnupiravir. Nesta negociação, 105 países de baixa e média renda terão acesso facilitado ao medicamento. Novamente, o Brasil também não foi incluído na lista.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos