Pfizer oferece vacina a governo brasileiro por valor menor que o pago pelos EUA por dose

Rafael Garcia
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SÃO PAULO - A mulinacional farmacêutica Pfizer não revelou ainda que preço o Brasil paragaria por sua vacina de Covid-19 caso o governo venha adquirí-la, mas afirmou que o valor seria menor do que aquele que os Estados Unidos pagaram por dose

— No momento não poderíamos liberar o preço da vacina porque estamos em negociação com o governo brasileiro, mas podemos dizer que a companhia definiu três níveis de preços — explicou na tarde desta teça o presidente da divisão brasileira da Pfizer, Carlos Murillo, em seminário promovido pela Academia Nacional de Medicina (ANM).

— Há um preço para países desenvolvidos, como EUA e os europeus, um preço intermediário para os países de renda media, onde entra o Brasil, e um preço para os países menos desenvolvidos.

A vacina de Covid-19 da empresa revelou resultados preliminares promissores nesta semana, com 90% de eficácia, mas ainda não concluiu os testes. O ensaio clínico envolve 44 mil pacientes no mundo, parte deles no Brasil, na Bahia e em São Paulo.

Em julho, o governo americano fechou acordo com a Pfizer e a BioNTech, parceira no desenvolvimento da vacina, que prevê o repasse de 100 milhões de doses em troca de US$ 1,95 bilhão. Um pedido de uso emergencia do produto já está tramitando no país, e a empresa quer começar a vacinar pessoas já em dezembro.

Segundo a multinacional, porém, a capacidade de produção da empresa neste ano será de apenas 50 milhões de doses, apenas uma fração daquelas já contratadas por EUA e outros países, levando em conta que o imunizante requer duas doses.

O Brasil, caso feche um acordo de aquisição da vacina, provavelmente só começaria a receber doses no ano que vem. A Pfizer espera ampliar sua capacidade de produção do produto para entregar 1,3 bilhão de doses em 2021.

O governo federal já fechou acordo com outra farmacêutica, a AstraZeneca, para produção no Brasil de uma vacina de Covid-19 que também ainda não concluiu os testes. O produto seria produzido em Manguinhos. O governo de São Paulo fechou acordo similar com a chinesa Sinovac, para produção no Instituto Butantan.

A Pfizer, porém, descarta assinar agora um acordo de transferência de tecnologia que permita ao Brasil fabricar sua vacina aqui. O imunizante criado pela farmacêutica usa uma tecnologia nova, à base de RNA, material genético do vírus, para a qual nenhuma planta brasileira é adequada. A rigor, diz a empresa, nenhuma planta no mundo comporta ainda os requisitos.

— Numa etapa inicial, a posição da companhia é que a forma mais eficiente e mais rápida de assegurar o maior quantitativo possível de vacina é concentrar a produção em três plantas nos EUA e duas na Alemanha — afirma Murillo. — Elas são as mais avançadas, que permitem adequação mais rápida desta nova plataforma de tecnologia.

Gelo seco

Um problema que tem preocupado os desenvolvedores da vacina da Pfizer e autoridades de saúde que consideram comprar seu produto é logístico. A vacina de RNA da empresa precisa ser armazenada a -70°C, e os freezers convencionais de postos de saúde brasileiro não atingem essa temperatura.

Segundo Murillo, porém, a empresa já pensou em uma solução que ajudaria a preservar o produto para sua distribuição até chegar na ponta para aplicação.

— A empresa tem trabalhado com parceiros e tem desenvolvido, como parte da oferta aos países, uma embalagem com uma tecnologia que permite manter a vacina nessa temperatura superbaixa por pelo menos 15 dias, somente com gelo seco — disse o executivo da Pfizer. — Duas semanas atrás tivemos a oportunidade de apresentar essa caixa ao governo do Brasil.

Essa tecnologia, em tese, garante 20 dias de preservação da vacina na cadeia de distribuição, porque o produto pode ficar em freezers comuns por até 5 dias.

Murillo, porém, não revelou no seminário da ANM se as negociações para aquisição do produto chegaram a avançar.

— Estamos trabalhando fortemente com o governo brasileiro para acelerar a disponibilidade no Brasil o mais rápido possível — disse.