Pfizer procurou embaixada brasileira em agosto para obter retorno sobre ofertas de vacinas

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Manhattan, New York. November 20, 2020. A man wearing a mask walks by Pfizer logo outside the company headquarter on 42nd street.
Manhattan, New York. November 20, 2020. A man wearing a mask walks by Pfizer logo outside the company headquarter on 42nd street.
  • Dirigentes da farmacêutica falaram com diplomatas brasileiros em Washington

  • Na época, haviam sido enviadas três mensagens com propostas ao governo brasileiro

  • Documentos foram enviados à CPI pelo Itamaraty

A Pfizer contatou a embaixada do Brasil em Washington, nos Estados Unidos, em 27 de agosto de 2020 em busca de ajuda para conseguir uma resposta do governo brasileiro sobre a compra de seus imunizantes. A embaixada repassou a informação ao Itamaraty no dia seguinte.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid recebeu o documento sigiloso, que depois foi obtido pela emissora TV Globo.

A CPI investiga as recusas do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) em responder as ofertas de vacinas da Pfizer. A teoria é que mais pessoas estariam imunizadas no país caso tivessem sido efetuadas compras junto à empresa ainda em 2020.

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O Itamaraty declarou que “dirigentes da Pfizer ressaltaram ao Posto a importância de que o governo brasileiro manifeste interesse pela compra da vacina até 29/8, com base em proposta comercial apresentada aos Ministérios da Saúde e da Economia em 14/8".

O documento obtido pela CPI demonstra também que foram os presidentes da Pfizer na América Latina e Brasil que procuraram os diplomatas brasileiros.

"Comentaram também terem apresentado a autoridades do Ministério da Saúde e do Ministério da Economia em 14/8, proposta formal de venda de cerca de 30 milhões de doses da vacina para o Brasil, caso a aplicação da vacina seja aprovada pelas autoridades nacionais competentes", afirma o documento.

Os mesmos documentos revelam que a farmacêutica avisou o Brasil que precisava de uma resposta, ao contrário a proposta expirava.

"Ressaltaram que o prazo para o governo brasileiro formalizar interesse na compra da vacinação expirará em 29 de agosto corrente, conforme estipulado na proposta. Expressaram receio de que a empresa não possa garantir o fornecimento da quantidade de doses da vacina deseja pelo Brasil, caso não receba a confirmação de interesse até 29/8".

Até o encontro entre dirigentes da Pfizer e diplomatas brasileiros em Washington, a empresa já havia encaminhado propostas ao Brasil três vezes, em 14, 18 e 26 de agosto. O governo brasileiro, no entanto, não retornou nenhuma das tentativas de contato da Pfizer.

A farmacêutica voltou a enviar propostas em novembro e fevereiro, quando se deu início a uma negociação, que levou ao fechamento de uma compra de 100 milhões de doses em março deste ano pelo governo brasileiro.