Pfizer quer retomar negociação para venda de vacina da Covid-19 ao Brasil

O Globo
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OSID/Divulgação
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SÃO PAULO - A divisão brasileira da Pfizer anunciou na tarde desta segunda-feira (9) em comunicado que pretende reatar as negociações com o governo brasileiro para compra antecipada de lotes de sua vacina para Covid-19. Os coordenadores do teste clínico do produto, ainda em andamento, divulgaram no mesmo dia resultados preliminares que sugerem eficácia alta, de 90%.

A multinacional farmacêutica, que já fechou acordo prévio de fornecimento do imunizante para os EUA e para a União Europeia, chegou a conversar com o governo brasileiro antes, mas não chegou a um entendimento. Hoje a empresa manifestou desejo de retomar conversas.

"A Pfizer continua em contato com o governo brasileiro e ofereceu a possibilidade de encaminhar uma proposta atualizada de fornecimento de sua potencial vacina, sujeita à aprovação regulatória, que permitiria vacinar milhões de brasileiros", disse a Pfizer do Brasil, em nota à imprensa. "Aguardamos um retorno do Ministério da Saúde para continuar com as tratativas."

O comunicado da empresa encontrou eco em declaração do vice-presidente Hamilton Mourão, para quem o Brasil pode vir, sim, a repensar um acordo antecipado de aquisição de lotes da vacina. Ele ressaltou porém, que não está participando diretamente dessa decisão.

— Acredito que essa vacina da Pfizer, uma vez sendo comprovada essa eficiência dela em 90% dos casos, ela terá uma boa prioridade e poderá ser objeto de compra por parte do nosso governo — afirmou.

O governo brasileiro já possui um acordo antecipado para produção de lotes da vacina contra Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a AstraZeneca. O governo de São Paulo, por sua vez, fechou acordo similar com a Sinovac, da China, para produção da vacina no Butantan. A vacina da Pfizer, bem como essas outras duas, está sendo testada em voluntários brasileiros.

No cominicado destinado aos brasileiros, a Pfizer se disse otimista com o indicativo preliminar de eficácia de 90% da vacina, mas não falou em pedido de autorização emergencial para uso do produto no Brasil.

"Continuaremos a coletar dados adicionais à medida que o estudo continua", informou a empresa. "Conforme o andamento da pesquisa, a porcentagem final de eficácia da vacina pode variar."

Nos EUA, que já adquiriram por antecipação um lote de 100 milhões de doses da vacina, a Pfizer já colocou em trâmite um pedido de autorização emergencial para uso do imunizante antes da conclusão da fase 3 de testes. O mesmo deve ser feito para países da União Europeia, que adquiriu 200 milhões de doses.