Um dia antes da abertura da CPI da Covid, PGR denuncia governador do AM e mais 17

Ana Paula Ramos
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Governador do Amazonas, Wilson Lima, ao lado do ex-ministro Eduardo Pazuello
Governador do Amazonas, Wilson Lima, ao lado do ex-ministro Eduardo Pazuello (Photo by MICHAEL DANTAS/AFP via Getty Images)

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou nesta segunda-feira (26) ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), e mais 17 pessoas por suspeita de envolvimento num esquema de corrupção no enfrentamento da pandemia.

Além do governador, foram denunciados o vice-governador, Carlos Almeida (PTB), o secretário chefe da Casa Civil do estado, Flávio Antony Filho, o ex-secretário de Saúde Rodrigo Tobias e outras 14 pessoas, entre servidores públicos e empresários.

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A estimativa da PGR é de um prejuízo superior a R$ 2 bilhões aos cofres públicos. A principal suspeita é de que os crimes foram cometidos na aquisição de respiradores para pacientes de covid-19.

A denúncia da subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo afirma que instalou-se no governo do Amazonas, sob o comando de Wilson Lima, “uma verdadeira organização criminosa que tinha por propósito a prática de crimes contra a administração pública, especialmente a partir do direcionamento de contratações de insumos para enfrentamento da pandemia, sendo que, em pelo menos uma aquisição, o intento se concretizou”.

A investigação começou no ano passado, após notícias de que 28 aparelhos haviam sido comprados de uma loja de vinhos.

O grupo é acusado de organização criminosa voltada à prática de crimes diversos, sobretudo dispensa indevida de licitação, fraude à licitação e peculato. O governador e um servidor também são acusados de tentar atrapalhar as investigações da organização criminosa por meio da adulteração de documentos.

Ao longo da investigação, foram realizadas três operações de busca e apreensão autorizadas pelo ministro Francisco Falcão, relator do caso no STF.

Interesse do governo

Um grupo de governadores estuda pedir ao Conselho Nacional do Ministério Público o afastamento da subprocuradora Lindôra Araújo do Giac (Gabinete Integrado de Acompanhamento da Epidemia de Covid-19) e da investigação sobre possíveis roubos de verbas federais destinadas aos estados para combater a pandemia. 

Eles alegam que a subprocuradora utiliza a solicitação de informação para angariar dados de interesse do governo a serem utilizados na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, que será aberta amanhã no Senado.

A investigação de governadores e prefeitos na CPI foi uma solicitação do presidente Jair Bolsonaro.

Em conversa telefônica entre o presidente Jair Bolsonaro e o senador Jorge Kajuru (Podemos-GO), vazada pelo parlamentar, o chefe do Executivo pressiona para que governadores e prefeitos também sejam investigados na comissão.

“Se não mudar o objetivo da CPI, ela vai vir para cima de mim. O que tem que fazer para ser uma CPI útil para o Brasil: mudar a amplitude dela. Bota presidente da República, governadores e prefeitos”, recomendou Bolsonaro.

"Se não mudar a amplitude, a CPI vai simplesmente ouvir o Pazuello, ouvir gente nossa, para fazer um relatório sacana. Tem que fazer do limão uma limonada. Por enquanto, é um limão que tá aí. Dá para ser uma limonada", afirmou ao senador.