PGR pede explicações após Witzel chamar secretário de Saúde de mentiroso

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Foto: Facebook / Reprodução

A Procuradoria-Geral da República (PGR) deu o prazo de cinco dias para o governador afastado Wilson Witzel (PSC) explicar declarações durante uma transmissão ao vivo em suas redes sociais na terça-feira, dia 5. Na publicação, ele afirma que, se fosse possível, daria voz de prisão ao atual secretário estadual de Saúde, Carlos Alberto Chaves. Isso porque, segundo o governador afastado, Chaves é um "mentiroso" e teria mentido no tribunal que julga o processo de impeachment.

O documento da PGR é assinado pela subprocuradora-geral da República, Lindôra Maria Araujo, à frente da denúncia contra Witzel no Supremo Tribunal Federal. De acordo com o texto, com trecho divulgado pelo G1, a subprocuradora afirma que "aparentemente o governador afastado Wilson Witzel objetiva, por meio de grave ameaça, coagir uma testemunha do processo de impeachment que está respondendo".

Em dezembro do ano passado, Chaves depôs no tribunal para explicar sobre as condições encontradas quando assumiu a secretaria.

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Na transmissão ao vivo, em que foram abordados também temas como crescimento econômico do estado e a campanha de imunização contra a Covid-19, Witzel fala sobre o atual secretário estadual de Saúde:

"Eu queria dizer para o secretário de Saúde do Rio de Janeiro: o senhor é um mentiroso, doutor Chaves. Desculpa, o senhor tem 70 anos de idade e tinha que ter vergonha na sua cara de ter ido naquele tribunal mentir. E durante, agora, as alegações, nós vamos mostrar sua mentira. O senhor é um mentiroso. O senhor mentiu perante o tribunal. Eu estava aqui assistindo, não estava lá presente. Se eu estivesse lá presente, eu pedia a sua prisão. A tua condução coercitiva para que você peça desculpas ao tribunal porque o senhor é um mentiroso. O senhor disse que a secretaria estava aparelhada."

Na época do depoimento, Chaves afirmou que "a tropa é um reflexo de seu comandante", ao ser indagado se Witzel poderia saber dos problemas que a pasta enfrentava. O processo de impeachment começou após o governador afastado ser acusado por um esquema de desvio de verba destinada à secretaria.

Wilson Witzel ainda afirmou que não houve trocas na secretaria após Chaves assumir o cargo.

Ontem, dia 6, o governador afastado voltou a suas redes sociais para se manifestar sobre o caso e afirmou, em duas mensagens, que estava exercendo seu "direito sagrado de defesa":

"Diante da reportagem que noticia a suposta prática de 'ataques' e 'ameaças' a uma testemunha que já prestou depoimento perante o tribunal misto, esclareço que apenas e tão somente exerci meu direito sagrado de defesa diante de informações inverídicas".

E completou:

"Informações essas que constaram de determinado depoimento. Não ameacei, nem poderia ameaçar, na medida em que o depoimento já foi prestado, em data anterior à crítica que veiculei nas minhas redes sociais".

A Secretaria estadual de Saúde não respondeu sobre as acusações a Carlos Alberto Chaves.