PGR quer mais um mês para conclusão do inquérito que investiga se Bolsonaro interveio na PF

Carolina Brígido
O procurador-geral da República, Augusto Aras. Foto: Jorge William / Agência O Globo

O procurador-geral da República, Augusto Aras, enviou parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira recomendando a prorrogação por mais um mês do inquérito que investiga se o presidente Jair Bolsonaro tentou intervir de forma ilegal nas atividades da Polícia Federal. A apuração foi aberta a partir de acusação do ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

Aras pediu a instauração do inquérito ao Supremo em 28 de abril, com prazo inicial de dois meses para a conclusão das investigações. Embora o prazo ainda não tenha terminado, depois um mês, a Polícia Federal pediu mais 30 dias para concluir as investigações. A tendência é que o relator, ministro Celso de Mello, conceda o prazo, já que ele está incluído no período inicialmente previsto para a tramitação do inquérito.

Segundo a PF, o prazo será necessário para serem cumpridas “diversas diligências de polícia judiciária já determinadas pelas autoridades policiais que atuam na presente investigação criminal” para a conclusão do inquérito. O procurador-geral concordou com a proposta. Celso de Mello deve tomar a decisão sobre o prazo das investigações em breve.

Também nesta segunda-feira, entrou no STF um pedido do senador Otto Alencar (PSD-BA) para abrir um novo inquérito para apurar suposta disseminação de fake news pelo presidente Bolsonaro. O parlamentar cita uma mensagem enviada por Bolsonaro a Moro em 22 de abril com acusações a adversários políticos na Bahia.

A mensagem é anônima, mas atribuída a Bolsonaro. Nela, o presidente teria afirmado que o governador da Bahia, Rui Costa (PT), teria contratado uma empresa do filho de Otto Alencar, sem licitação, para gerir o Hospital Espanhol em Salvador. Essa mensagem integra o inquérito que apura se o presidente interferiu indevidamente na PF.

Caberá a Celso de Mello decidir se arquiva o pedido do senador, ou se encaminha para a PGR opinar se é o caso de abrir ou não um novo inquérito.