PGR se manifestou contra prisão preventiva de bolsonaristas acusados de atos violentos em Brasília

Após a Polícia Federal ter solicitado a prisão preventiva dos 11 suspeitos de atos violentos e antidemocráticos em Brasília, a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou de forma contrária e afirmou que não havia elementos suficientes para manter os alvos presos.

Entretanto, o relator do caso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, decidiu converter as prisões temporárias (que durariam dez dias) em preventivas, sem prazo para terminar.

Tanto a PF como o relator entenderam que, diante da gravidade dos atos de depredação realizados no dia 12 de dezembro, a liberdade dos alvos investigados poderia novamente colocar em risco a ordem pública, com potencial de novos atentados à ordem democrática.

Na ocasião, eles tentaram invadir a sede da PF em Brasília, depredaram a entrada do prédio, incendiaram veículos e até tentaram jogar um ônibus do alto de um viaduto.

Comandada pelo procurador-geral da República Augusto Aras, conhecido por seu alinhamento ao ex-presidente Jair Bolsonaro, a PGR tem tomado posições nos últimos dias que desagradaram bolsonaristas, como pedido para apreender armas da deputada Carla Zambelli (PL-SP) e uma ação protocolada para derrubar o indulto concedido por Bolsonaro a policiais que participaram do massacre do Carandiru.

Na fase inicial da investigação sobre os atos antidemocráticos do dia 12, a PGR foi favorável à prisão temporária dos suspeitos. Mas, passado o prazo, o órgão se manifestou contrariamente à conversão em prisões preventivas.

A PF só localizou quatro alvos até o momento: Átila Melo, Klio Hirano, Joel Pires Santana e Samuel Barbosa Cavalcante. Os outros sete alvos da oirdem de prisão são considerados foragidos: Alan Diego dos Santos, Helielton dos Santos, Ricardo Aoyama, Silvana Luizinha da Silva, Walace Batista da Silva, Wellington Macedo e Wenia Morais Silva.

A investigação foi aberta pela PF para apurar a tentativa de invasão do prédio da corporação, em Brasília, realizada no dia 12 de dezembro. Bolsonaristas protestavam contra a prisão do líder indígena bolsonarista José Acácio Serere Xavante, depredaram o prédio da PF e promoveram atos violentos em Brasília, incendiando veículos e até mesmo tentando jogar um ônibus de cima de um viaduto na capital federal.

De acordo com os investigadores, todos os alvos teriam participado dos atos de depredação que tiveram início com a tentativa de invasão da sede da PF e acabaram atingindo veículos e outros locais da capital. Alguns teriam sido responsáveis inclusive por obter galões de gasolina usados para incendiar veículos.

Além das prisões, a PF também realizou busca e apreensão nos endereços dos investigados. Um dos próximos passos da investigação é apurar se houve financiadores e a origem dos recursos que financiaram os extremistas.

A investigação identificou que parte dos responsáveis pelos atos de vandalismo também participou da tentativa de realizar um atentado com uma bomba no aeroporto de Brasília, que foi interceptada antes de chegar ao local.