PGR tem 40 denúncias prontas contra suspeitos de participação em atos terroristas, diz Aras

O Ministério Público Federal (MPF) já tem 40 denúncias prontas contra pessoas identificadas nos atos terroristas do último dia 8, de acordo com o procurador-geral da República, Augusto Aras. A informação foi passada por Aras ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), em encontro realizado na manhã desta segunda-feira. Na ocasião, Lira entregou uma notícia-crime e colocou a advocacia da Casa à disposição do MPF para auxiliar o trabalho de investigação, inclusive com o fornecimento de materiais que possam servir de prova contra os invasores, como vídeos do sistema interno de segurança e o resultado de perícias realizadas no prédio.

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— Hoje já temos 40 denúncias prontas. E associaremos até sexta feira as novas denúncias que poderão ser acompanhadas de medidas cautelares para essas pessoas que foram presas depredando e invadindo a Câmara Federal, ou se não houver elementos para a denúncia, providenciaremos os inquéritos — afirmou Aras.

Lira, por sua vez, disse que espera medidas enérgicas da PGR. As investigações dos atos de vandalismo contra as sedes dos três Poderes estão sendo conduzidas por um Grupo Estratégico de Combate aos Atos Antidemocráticos criado por Aras com o objetivo de agilizar o trabalho e a apresentação de ações penais contra todos os responsáveis pelos atos.

— Esperamos que o Ministério Público cumpra o seu papel e promova a responsabilização não só por causa da depredação, que é grave, mas sobretudo por causa do atentado sofridos pelas instituições — afirmou.

Lira se esquiva sobre Bolsonaro

Pela manhã, entretanto, Lira afirmou que não viu incitação ao crime por parte dos deputados federais eleitos André Fernandes (PL-CE) e Clarissa Tércio (PP-PE), alvos de um pedido de abertura de inquérito por parte da Procuradoria-Geral da República. Ele se esquivou de opinar sobre a inclusão do ex-presidente Jair Bolsonaro em um inquérito que investiga a possível instigação dos atos terroristas do dia 8 de janeiro.

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— Cada um responde pelo que faz. Meu CPF é um. O CPF do presidente Bolsonaro é outro. Temos que ter calma nesse momento e investigar todos os aspectos. Nossa fala não muda: todos que praticaram e contribuíram para esses atos de vandalismo devem ser severamente punidos.

Ele comentou o caso de Abílio Brunini (PL-MT), que negou estragos na Câmara por invasões golpistas.

— Um parlamentar eleito não pode divulgar fatos que não condizem com a realidade.

Senado fez procedimento semelhante

Procedimento semelhante ao realizado por Lira nesta segunda foi feito na última sexta-feira, desta vez envolvendo dados referentes aos estragos verificados no Senado. As investigações dos atos de vandalismo contra as sedes dos três poderes estão sendo conduzidas por um Grupo Estratégico de Combate aos Atos Antidemocráticos criado por Aras com o objetivo de agilizar o trabalho e a apresentação de ações penais contra todos os responsáveis pelos atos.

O PGR explicou que o Ministério Público está atuando em várias frentes para garantir a adequada apuração e responsabilização dos envolvidos e que já estão prontas as primeiras ações penais contra envolvidos.

— Nos casos em que não for possível a apresentação imediata de denúncia, serão solicitados inquéritos contra suspeitos.