‘Philip K. Dick’s Electric Dreams’: Futuro assustador imaginado por escritor volta em nova série

Caio Delcolli

Anna Paquin em cena de 'Real Life', um dos episódios de 'Electric Dreams'

Um homem que trabalha na estação de trem de Woking, Inglaterra, descobre que passageiros têm usado o transporte para chegar a um lugar que não existe. Um garotinho testemunha seu pai ser substituído por um duplo alienígena. Uma senhora perto de morrer pede a dois funcionários de um serviço de turismo espacial que a levem à Terra, um lendário planeta que séculos atrás tornou-se inabitável após explosões solares.

Há poucos meses, o futuro sombrio no qual vive o caçador de androides Deckard voltou aos cinemas com Blade Runner 2049. O filme nos mostrou que mesmo 50 anos após seu lançamento, o romance Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, de Philip K. Dick (1928–1982), no qual os filmes de Blade Runner se baseiam, continua atual, instigante e assustador.

Agora o legado do escritor é visitado novamente, e desta vez por meio de várias histórias — como as mencionadas no primeiro parágrafo desta reportagem —, em Philip K. Dick's Electric Dreams, nova série da Amazon Prime Video.

Trata-se de uma antologia de ficção científica criada por Ronald D. Moore (Outlander) e Michael Dinner (Anos Incríveis) ao estilo de Black Mirror (Netflix), com episódios baseados em contos diferentes do escritor. A tecnologia aparece neles em suas formas mais avançadas, no centro da intimidade humana ou até dentro de nossos corpos e mentes, e como é típico dos escritos de Dick, também no centro de questões existenciais. Em conceito, Electric Dreams pode não soar tão diferente da série de Charlie Brooker — mas seu diferencial está principalmente em vir da imaginação do escritor que ajudou a abrir caminho para Black Mirror encontrar seu lugar no cânone da ficção científica.

"Para mim, o grande lance do gênero são questionamentos como 'o que significa ser humano?', 'qual é a natureza da realidade?'", conta Dinner em entrevista ao HuffPost Brasil.

"O material, que foi escrito entre o fim dos anos 1950 e início dos 1960, funciona em...

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