Piñera afirma que processo de impeachment contra ele é baseado em 'fatos falsos'

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O presidente do Chile, Sebastián Piñera, discursa durante entrevista coletiva realizada em 10 de novembro de 2021 no Palácio de La Moneda, em Santiago (AFP/MARTIN BERNETTI)

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, afirmou nesta quarta-feira (10) que o processo político para destituí-lo aprovado na Câmara dos Deputados se baseia em "fatos falsos", e espera que seja rejeitado no Senado na semana que vem.

A Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira a abertura de um processo de impeachment contra Piñera por seu suposto envolvimento na polêmica venda da mineradora Dominga no paraíso fiscal das Ilhas Virgens, em operação revelada nos Pandora Papers.

Agora será a vez do Senado, que atuará como júri para decidir se destituirá ou não o presidente em sessão na próxima terça-feira.

"Estamos muito confiantes de que na próxima terça-feira o Senado, atuando como júri e analisando os fatos de forma objetiva, racional e ponderada, rejeitará totalmente essa acusação", declarou o presidente conservador à imprensa em cerimônia pública em Santiago.

Piñera, de 71 anos, argumentou que a acusação surge em meio a "um clima hostil da política chilena" e "tem um interesse eleitoral claro e injustificado", a 11 dias da eleição presidencial de 21 de novembro.

O presidente questionou ainda que, paralelamente à denúncia no Congresso, o Ministério Público abriu uma investigação criminal para o mesmo caso, o que já tinha feito em 2017.

"Os fatos foram analisados e investigados em profundidade pelo Ministério Público, por Juízo de Garantia, pelo Tribunal de Justiça e até em recurso de cassação e pela Suprema Corte. Em todas essas instâncias foi decretado que não houve irregularidade, mas também apurado minha total inocência", se defendeu Piñera, que ainda está no cargo, mas está impedido de deixar o país enquanto durar o processo no Senado.

Uma investigação da mídia local CIPER e LaBot, incluída nos Pandora Papers, revelou que os filhos do presidente venderam a Dominga em 2010 ao empresário Carlos Alberto Delano - amigo próximo de Piñera - por 152 milhões de dólares. A transação, que foi realizada principalmente nas Ilhas Virgens, ocorreu durante o primeiro governo de Piñera (2010-2014).

A operação seria realizada em três parcelas e continha uma cláusula polêmica que condicionava o último pagamento ao "não estabelecimento de área de proteção ambiental sobre a área de atuação da mineradora, conforme reivindicado por grupos ambientalistas".

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