Piadas e defesa de médico viram correntes após Bolsonaro desistir de debate

PAULO PASSOS

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um gato encolhido na parede se esconde de dois cachorros. Na imagem replicada em grupos de WhattsApp, o felino é indicado como Jair Bolsonaro (PSL) e os cães com cara de ferozes como os debates do segundo turno.

O anúncio de que o capitão reformado não poderá participar de debates até, pelo menos, o dia 17 de outubro gerou piadas replicadas no aplicativo de conversas.

Esfaqueado no dia 6 de setembro, Bolsonaro informou que seus médicos o recomendaram mais uma semana de repouso. Por isso, não irá a quatro debates marcados para o segundo turno, em outubro: em 12, na Band, 14, na Gazeta, 15, na Rede TV (já cancelado) e o do dia 17, organizado pela Folha de S.Paulo, UOL e SBT.

No primeiro turno, ele não esteve em cinco dos sete debates. Não foi nos que aconteceram após o atentado de que sofreu. No último deles, em 26 de setembro, na Globo, apresentou um atestado médico.

Rivais na época alegaram que o primeiro colocado nas pesquisas não queria debater. Opiniões com o a de Ciro Gomes (PDT) e de Marina Silva (Rede) voltaram a ser replicadas em grupos de WhattsApp. A candidata da Rede disse que Bolsonaro "amarelou".

A frase virou uma ilustração com uma paleta de cores com tons de amarelo e a cara de Bolsonaro. O meme voltou a ser compartilhado entre quarta (10) e quinta-feira (11).

Um vídeo de Fernando Haddad também foi replicado em grupos no aplicativo de conversa. "Deputado Bolsonaro, vem contar para o povo brasileiro o que você fez em 28 anos no Congresso Nacional", diz o petista, que completa com um chamado: "Vem para o debate".

Em grupos de eleitores do capitão reformado as piadas e críticas foram retrucadas. Seguidores do candidato do PSL replicaram um texto assinado por um médico que defende o deputado federal.

"Olhem o que diz o médico que operou Bolsonaro", começa a mensagem. "Como médico e como cristão condoído pelo sofrimento de Jair Messias Bolsonaro gostaria de esclarecer alguns pontos que foram esquecidos nestes últimos dias", diz o texto.

Nele, o médico João Batista Marchesini defende a ausência do presidenciável. "Qualquer trabalhador afastado de suas atividades pelo SUS por tais lesões gozaria de afastamento de suas funções por dois ou três meses", argumenta.

"Acho injusto chamá-lo de covarde, que correu do debate, que amarelou, que usou atestado frio, etc. etc. Ignorância extrema e falta de caridade cristã. Fico revoltado com tanta sujeira. Por favor respeitem um ser humano independente de suas convicções políticas", completa.

À reportagem, o médico confirmou que escreveu o texto, que mandou para um grupo de amigos. Diferentemente do que foi dito no início da mensagem, Marchesini não operou Bolsonaro.

"Não sei quem incluiu isso na mensagem. Não conheço, nem nunca estive com o candidato", afirma o médico, que diz ser eleitor de Bolsonaro. "Escreveria o mesmo texto se o candidato esfaqueado fosse o Lula".