Pianista Jonathan Ferr saiu de uma favela para gravadora e palcos de sucesso

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Aos 9 anos, Jonathan Ferr ganhou do pai um teclado para iniciantes, daqueles sem muitos recursos. O menino, então morador do Morro da Congonha, favela localizada na Zona Norte do Rio, havia se encantando por esse tipo de instrumento ao ver o pianista Pedrinho Mattar, morto em 2007, na TV. “Ainda não era um piano, mas foi o começo dessa história”, conta o carioca, hoje com 34 anos. “Depois desse presente, minha vida ganhou um novo sentido. A música virou uma obsessão. Deixei de jogar futebol e soltar pipa para me dedicar aos ritmos. Sabe aquela sensação de estar apaixonado? Era exatamente assim que eu me sentia.”

Após aulas comunitárias intensivas em Madureira, Jonathan dominou o piano e começou a ganhar uns “trocados” por causa de seus dotes musicais. “Vinte anos atrás, R$ 50 era grana demais. Conseguia ajudar em casa, fazer uma compra no mercado. Percebi ali que poderia ganhar dinheiro sem precisar deixar minha vocação de lado”, conta o rapaz, que já tocou em igreja evangélica e no Palco Favela do Rock in Rio, em 2019. “Foi algo muito significativo estar naquele festival. Nem nos meus maiores delírios, o Rock in Rio seria algo viável. Mas cheguei lá e não quero parar.”

Nem deve. Recentemente, o carioca, morador da Lapa, lançou seu segundo álbum, “Cura”, por uma grande gravadora, a Som Livre. “Sou o único artista instrumental da empresa. Dá para acreditar? Esse disco é um processo de autoconhecimento. A ideia é buscar dentro de nós mesmos as soluções para nossas questões. É um grande despertar. Afinal, somos sempre pessoas diferentes ao fim do dia, mudamos constantemente.”

Paralelamente, Jonathan está envolvido com um projeto para a internet. Gravará nas próximas semanas um programa para o YouTube sobre jazz, sem data de estreia. “Na verdade, gosto de me comunicar. O piano é um dos canais, mas também quero usar todas as ferramentas do audovisual ao meu favor. Minha vontade é falar com geral, tocar com minha mensagem. Seja da forma que for.”

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