'PIB do Banco Central' aponta para crescimento muito aquém do necessário

Renato Andrade

A expansão abaixo de 1% da economia brasileira no ano passado, de acordo com cálculos feitos pelo Banco Central, consolida um cenário traçado por vários analistas para 2020: o início da corrida será em ritmo bem mais lento que o desejado, o que pode levar o país a colher mais um ano de crescimento espartano.

Inflação controlada, juros baixos e mais crédito disponível são fatores que contribuem para que boa parte dos economistas estimem um avanço mais forte neste ano. Mas, sozinhos, estes elementos não são suficientes para mudar a magnitude da taxa de crescimento que o país vem registrando nos últimos três anos.

Problemas no início do jogo podem ser corrigidos ao longo da partida. Mas o aumento da confiança dos empresários e dos consumidores passa, necessariamente, por uma melhora substancial das condições macroeconômicas, o que não está confirmado. Ao contrário.

As contas dos governos federal e estaduais precisam voltar a um patamar razoável de equilíbrio, sem o qual não há torcida que faça empresários investirem mais e consumidores gastarem na mesma proporção. Muito menos estrangeiros aportarem em terras nacionais o dinheirinho acumulado lá fora.

O indicador do BC, divulgado nesta sexta-feira, é apenas uma prévia aproximada do desempenho que a economia brasileira teve no ano passado. A conta oficial é de responsabilidade do IBGE e seu resultado só será conhecido em março.

Mesmo assim, o dado tem sua importância por reforçar o quadro que vem sendo montado a partir da divulgação de outros indicadores, como o comportamento da indústria e do setor de serviços no ano passado.

As fábricas instaladas no país amargaram uma retração em 2019, depois de dois anos de crescimento baixo. Nos serviços, houve até expansão na comparação com 2018. Mas muito abaixo do que se calcula ser preciso para recuperar parte do terreno perdido entre 2015 e 2018.