Economia do Brasil cresce mais do que o esperado no 2º tri com serviços e investimentos

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Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A economia brasileira cresceu mais do que o esperado no segundo trimestre de 2022, impulsionada pela recuperação do setor de serviços e aumento do consumo das famílias e dos investimentos, mantendo o ritmo visto no início do ano apesar da inflação e dos juros elevados.

No segundo trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro teve alta de 1,2% na comparação com os três meses anteriores, após crescimento de 1,1% entre janeiro e março, no quarto trimestre seguido de taxas positivas.[nL1N30813P]

O resultado divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficou acima da expectativa em pesquisa de Reuters de um ganho de 0,9% e mostrou aceleração do crescimento desde o recuo de 0,3% visto no segundo trimestre de 2021.

Com isso, o PIB avançou 2,5% no primeiro semestre do ano frente ao mesmo período de 2021, e a atividade econômica está 3,0% acima do patamar pré-pandemia, visto no quarto trimestre de 2019, de acordo com o IBGE. Também atingiu o segundo patamar mais alto da série, atrás apenas daquele alcançado no primeiro trimestre de 2014.

Na comparação com o segundo trimestre de 2021, o PIB teve avanço de 3,2%, ante expectativa de alta de 2,8% nessa base de comparação.

As expectativas para a economia brasileira neste ano vêm melhorando, enquanto as projeções para o PIB em 2023 seguem em declínio, em um ambiente de políticas monetária e fiscal em direções opostas --enquanto a primeira busca arrefecer a economia com juros elevados, a segunda dá sustentação à demanda no curto prazo.

CONSUMO

O período de abril a junho foi marcado por um crescimento forte dos serviços, com peso de 70% na economia, mas também da indústria.

“O que mais puxou (o PIB) foi serviços, por conta da retomada do setor com mais viagens, alimentação e hospedagem. Tem também uma demanda reprimida depois de dois anos de pandemia, e o transporte de passageiros mostra isso", explicou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

O setor de serviços mostrou avanço de 1,3% no segundo trimestre, acelerando ante a taxa de 1,1% do período anterior, ainda favorecido pela retomada das atividades presenciais que estavam represadas durante a pandemia.

Ainda do lado da produção, a indústria cresceu 2,2% e marcou o segundo resultado positivo consecutivo, além da taxa mais alta para o setor desde o terceiro trimestre de 2020 (14,7%), quando estava em franca recuperação dos efeitos da pandemia.

Por sua vez, a agropecuária mostrou expansão de 0,5% no segundo trimestre, ainda sem recuperar totalmente a perda de 0,9% dos três primeiros meses do ano e impactada com força pela retração na produção da soja.

“Este ano a agropecuária está sendo afetada pela soja por conta dos problemas climáticos no Centro-Sul. A previsão para a soja é de queda de 12% no ano", disse Palis.

Já do lado das despesas, o destaque foi a expansão de 2,6% dos gastos das famílias, maior alta desde o quarto trimestre de 2020 (3,1%), resultado relacionado ao crescimento dos serviços prestados às famílias.

Além disso, no início do ano a economia foi favorecida pela liberação de saques extraordinários do FGTS, antecipação do 13º de aposentados e pensionistas e o Auxílio Brasil.

"Podemos dizer que houve uma melhora no mercado de trabalho, que aumentou a massa de rendimento apesar do rendimento real ainda estar em queda. Há crescimento no crédito, mesmo com a Selic mais alta", explicou Palis.

Já a Formação Bruta de Capital Fixo, uma medida de investimento, apresentou alta de 4,8% no segundo trimestre, recuperando a contração de 3,0% de janeiro a março, diante da retomada das atividades de construção e de informação e comunicação.

Em relação ao setor externo, as Exportações de Bens e Serviços encolheram 2,5%, enquanto as importações dispararam 7,6%.

Nos próximos meses, condições financeiras mais apertadas devem pesar sobre a atividade, mas seus efeitos tendem a ser atenuados pela melhora do mercado de trabalho e medidas de auxílio do governo, adiando os impactos mais significativos do intenso aperto da política monetária, que tirou a taxa básica de juros da mínima de 2% para a taxa corrente de 13,75% ao ano.

O país ainda encara incertezas relacionadas à eleição presidencial de outubro, à política macroeconômica a ser seguida pelo governo do presidente a ser eleito e a desafios provenientes do cenário internacional.

Enquanto o mercado vê crescimento do PIB de 2,10% e 0,37% respectivamente em 2022 e 2023, o governo calcula altas de 2,0% e 2,5%.

(Edição de Flávia Marreiro)