PIB: Consumo das famílias tem pior desempenho desde 2016

Pedro Capetti, Gabriel Martins e Vítor Santos*
Consumidor consulta preços em supermercado.

RIO - O consumo das famílias, item que tem maior peso no PIB, teve em 2019 seu pior desempenho desde o fim da última recessão brasileira. A alta foi de só 1,8%, após avanço de 2,1% em 2018 e de 2% em 2017.

O fraco desempenho desse componente do PIB reflete o desemprego ainda elevado, que comprime os gastos das famílias.

O comerciante André Martins, 49 anos, está sem emprego há um ano após fechar sua loja de lanches. Com isso, sua família - composta também pela mulher, Elaine Gomes, 40 anos, e a filha, Emilly Gomes, 17 anos - precisou cortar gastos.

O salário de Elaine como assistente comercial é destinado principalmente às compras de supermercado, com a opção por produtos mais em conta. Despesas com passeios foram cortadas, além do curso de inglês da filha, o plano de saúde de André e o serviço de televisão a cabo.

- Para economizar, temos evitado sair. Antigamente, a gente saía. No fim de semana, íamos a um restaurante, em um shopping almoçar, mas não estamos fazendo mais. Evitamos bastante esses passeios para diminuir custo – disse Elaine.

A família equilibra o orçamento com a ajuda de familiares, como o pai de André, que cedeu parte do terreno de sua casa para que eles morassem. O casal começou a construir a casa no local, mas o desemprego de André e o aumento dos custos dos materiais fizeram com que eles interrompessem a obra.

Os irmãos de Elaine também ajudaram, ao darem chips vinculados aos seus planos de telefonia para ela e a filha. Emilly também paga algumas de suas despesas com as artes gráficas que produz para lojas. (*Estagiário, sob supervisão de Luciana Rodrigues)