PIB cresce 1% no primeiro trimestre, ligeiramente abaixo do esperado

Influenciada pelo processo de reabertura, a economia brasileira segue sua trajetória de recuperação após dois anos de pandemia de Covid-19. Dados divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira mostram que o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos pelo país) avançou 1% no primeiro trimestre de 2022 em comparação com o quarto trimestre do ano passado.

É mais do que o crescimento registrado nos dois trimestres anteriores, mas menos que o esperado pelo mercado. Economistas previam alta de 1,2%, segundo a média das projeções de analistas ouvidos pela Bloomberg.

Frente ao primeiro trimestre do ano passado, o PIB cresceu 1,7%. Em relação ao quarto trimestre de 2019, está 1,6% acima do período pré-pandemia. Mas, apesar da alta, recuamos oito anos.

- Estamos no mesmo nível de PIB de segundo trimestre de 2013 - explica Claudia Dionisio, do IBGE.

O desempenho do primeiro trimestre foi puxado setor de serviços, que representa 70% do PIB e que foi duramente afetado durante os períodos de maiores restrição em função da Covid. Sob a ótica da produção, foi o único setor que cresceu no trimestre: avanço de 1% em relação ao último trimestre do ano passado.

Os serviços prestados às famílias, como alojamento e alimentação, tiveram bom desempenho, assim como o segmento de transportes, impulsionados pelo aumento do e-commerce no país. Com mais compras on-line, maior a demanda pelo transporte de cargas.

Queda no agro, com falta de chuvas

A agropecuária, que puxou crescimento em outros trimestres, recuou 0,9% e a indústria ficou estável, com expansão de apenas 0,1%. A queda da pecuária foi impactada principalmente pela estiagem no Sul, que causou a diminuição na estimativa da produção de soja, a maior cultura da lavoura brasileira, destacou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

Pela ótica da demanda, o resultado positivo do consumo das famílias aponta que está respondendo aos estímulos fiscais concedidos no período. Houve crescimento de 0,7% no trimestre.

- A demanda também está relacionada aos serviços que são principalmente feitos de forma presencial, como as atividades ligadas a viagens - diz Rebeca.

Investimento recua 3,5%

O consumo do governo ficou estável (+ 0,1%). Já os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) caíram 3,5%.

- Essa queda foi impactada pela diminuição na produção e importação de bens de capital, apesar de a construção ter crescido no período - explica Rebeca.

As importações avançaram apenas 0,1% no trimestre, o que aponta estabilidade. Já as exportações cresceram 5%, impulsionadas pelo altos preços das commodities.

A taxa de investimento no primeiro trimestre foi de 18,7% do PIB, ficando abaixo da registrada no mesmo período do ano passado (19,7%), quando o país ainda estava muito afetado pelas restrições impostas pela pandemia.

O IBGE informou que nesta divulgação não foi possível informar os dados das Contas Econômicas Integradas e a Conta Financeira, que incluem a capacidade e necessidade de financiamento da economia e a taxa de poupança, em função da ausência de divulgação do Balanço de Pagamentos pelo Banco Central do Brasil com dados referentes ao mês de março.

Perspectivas

Analistas avaliam que a atividade deve seguir no campo positivo, embora com alguma desaceleração na margem. Isso porque há uma continuidade do processo de reabertura econômica e da injeção de estímulos fiscais no período, que podem impulsionar o consumo das famílias por mais tempo.

O desafio com relação ao desempenho da atividade se concentra nas projeções para o segundo semestre, quando é esperado que a economia perca força diante do impacto das altas de juros, ocorridas desde o ano passado.

— Esses fatores que ajudaram no primeiro semestre vão perder força no segundo, e a nossa expectativa é que a economia sinta os impactos de uma politica monetária mais contracionista — afirma Mirella Hirakawa, economista da AZ Quest.

Nota da redação: Uma primeira versão desta reportagem citava a projeção de crescimento do Valor Data para o PIB. O número citado, de 1,4%, era a projeção dos analistas consultados pelo Valor Data para o resultado do PIB no ano, e não para a variação no 1º trimestre como foi equivocadamente mencionado.

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