PIB dos EUA cresce 2,6% no terceiro trimestre, após queda na primeira metade do ano

O PIB americano cresceu 2,6% no terceiro trimestre, na taxa anualizada, segundo dados divulgados nesta quinta-feira. Nos dois trimestres anteriores, a economia dos EUA havia encolhido, o que caracteriza recessão técnica. O ritmo de avanço no consumo das famílias surpreendeu analistas, diante de uma inflação em trajetória crescente, o que eleva a pressão sobre o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) por uma nova alta de juros na reunião da semana que vem.

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O desempenho do PIB ficou levemente acima da expectativa do mercado. Projeção da Bloomberg apontava para expansão de 2,4%.

De acordo com o Departamento do Comércio dos EUA, o crescimento se deve ao avanço do consumo, das exportações, além dos gastos do governo. A queda das importações também favoreceu o resultado.

O consumo subiu 1,4% na base anualizada, contra previsões de 1%. E o recuo nas compras externas reflete mudanças no perfil do consumidor, segundo analistas. Os americanos estão comprando menos bens duráveis e estão gastando mais em serviços, como restaurantes e viagens, com o avanço da vacinação anti-Covid.

Esse quadro alivia as preocupações imediatas de que os EUA estariam em recessão ou muito próximo dela. Na definição clássica, dois trimestres seguidos de retração permitiriam essa classificação, mas o órgão que determina os ciclos recessivos no país, o National Bureau of Economic Research (NBER), considera outros indicadores, como taxa de desemprego, consumo e produção industrial.

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O mercado de trabalho está forte nos EUA, e o consumo se mostrou resiliente no trimestre. O que seria uma boa notícia, porém, pode agravar o cenário inflacionário. Com o avanço do emprego, a demanda de consumo tente a aumentar, pressionando a inflação. O índice fechou em 8,2% em 12 meses encerrados em setembro.

Próxima reunião do Fed

"O relatório do PIB de hoje é o tipo de relatório com o qual deveríamos ficar felizes, que aponta recuperação (da economia). No entanto, diante da contínua alta de taxas de juros pelo Fed e o impacto das altas passadas que ainda sentiremos à frente, esse pode ser o último bom relatório por um tempo" disse à CNN em nota Dean Baker, do Centro de Economia e Pesquisa Política.

A avaliação é que o ciclo de aperto do Fed pode ser mais longo com uma maior pressão do consumo, eventualmente levando a maior economia do mundo a uma recessão. A próxima reunião da instituição será em 2 de novembro. Espera-se que a taxa de juros seja elevada em mais 0,75 ponto percentual, o que seria a quarta alta dessa magnitude no ano.

Os juros estão na faixa entre 3% e 3,25% hoje, maior nível desde janeiro de 2008.