PIB zero do governo Bolsonaro é otimista, em comparação com previsões do mercado

Renato Andrade

A equipe econômica divulgou nesta sexta-feira sua nova estimativa para o desempenho da economia brasileira em 2020, o ano do coronavírus. A precisão da conta apresentada é impressionante: o país vai crescer este ano 0,02%. Sim. O Ministério da Economia estima uma taxa positiva de expansão do nível de atividade econômica brasileira de dois dígitos depois da vírgula.

Não é preciso consultar economistas de partidos que se opõem ao governo Jair Bolsonaro para saber que a projeção de crescimento, ainda que irrisório, está cada vez mais desconectada da realidade global. Basta dar uma olhada nos relatórios divulgados nos últimos dias por bancos e consultorias.

O Itaú Unibanco, por exemplo, divulgou sua nova projeção horas antes do relatório federal. Pelas contas da equipe do economista-chefe da instituição, Mario Mesquita, o país vai encolher 0,7% este ano. Essa conta considera que a paralisação da economia brasileira será equivalente a 75% do que ocorreu na China, primeiro país a registrar casos do novo vírus. Se o Brasil travar da mesma maneira que o gigante asiático, a queda do PIB pode ser de 1,6%.

Os bancos JPMorgan e Goldman Sachs também passaram a prever contração da economia verde amarela em 2020. Pelas contas do primeiro, o tombo será de 1,0%. Para o segundo, a contração de 0,9%. A lista de instituições que fizeram o mesmo é grande.

Na verdade, a projeção divulgada pela equipe do ministro Paulo Guedes é uma forma de dizer “não vai dar”: infelizmente, o Brasil não deve crescer neste ano.

Para se ter uma ideia do quanto a crise de saúde está afetando as contas e o otimismo da equipe econômica, basta lembrar que parâmetros econômicos – como estimativas de expansão do PIB – estão sempre na primeira página dos relatórios bimestrais de avaliação das receitas e despesas do governo federal. Nesta sexta, a tabela foi parar na última página do documento.

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