Seguro para smartphone? Startup oferece planos a partir de R$ 6

Colaboradores Yahoo Finanças
(Foto: Getty Images)
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Os caminhos do mineiro Lucas Prado e do baiano Igor Mascarenhas se cruzaram em 2006, quando se conheceram no vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Eles conversaram, desejaram boa sorte um ao outro e jamais imaginariam que, além de amigos, fariam diversos trabalhos e, juntos com Rafael Oliveira, fundariam a Pier, startup de seguro de celulares com 7 mil clientes e outros 40 mil na espera.

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A empresa começou a tomar forma em 2006, quando Igor ligou para Lucas e o questionou sobre o que ele entendia do mercado de seguros no geral. “Sabia que era gigantesco, mas muito regulado”, afirma Lucas, que hoje é responsável pelo marketing da startup. “Depois, comecei a pesquisar e vi que o significado das seguradoras se perdeu. Começou como algo comunitário, em que as pessoas se ajudavam, para uma coisa de burocracia, que não agrada ninguém. Queríamos voltar para esse formato com uma relação próxima ao cliente”.

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Primeiro, quiseram criar um serviço que pudesse ser contratado sem papelada, de maneira rápida. Este é um ponto ainda com algumas arestas, já que há fila de espera que exige uma espécie de convite para poder segurar o seu celular — como fazia o finado Orkut. E nem todos modelos são atendidos. iPhone é a partir da quinta geração e Android só da marca Samsung, dos modelos S e J Prime e Pro. No entanto, prometem logo resolver ambos os problemas com investimento para abrir espaço para novos clientes e ampliar as marcas atendidas.

Ainda assim, a Pier ganha alguns pontos nesse quesito por não cobrar franquia, nem ter carência. O cliente tem o benefício de contratar o seguro mensalmente, podendo cancelar a qualquer momento. “Reembolsamos furto, que é algo inédito no setor. E não cobramos franquia, por achar que isso é uma desconfiança da empresa com as pessoas”, explica Lucas. “Temos esse modelo pois usamos a tecnologia para garantir que a pessoa é idônea”.

Além disso, a empresa busca manter uma relação de transparência com o cliente. Do total de arrecadação mensal, 20% vai para a empresa. Os outros 80% vão para uma espécie de fundo, que serve de reserva para o pagamento de reembolso de celulares de seus clientes. Caso o fundo fique com um valor muito acima do esperado, a startup corta a mensalidade, aplicando descontos que diminuem o preço. É importante frisar que todos os valores são especificados numa tabela própria, chamada Pipe, numa brincadeira com a de automóveis.

O aparelho Samsung Galaxy J2 Prime 8GB, por exemplo, cobra a mensalidade mais baixa, de R$ 6,10 por mês. Em caso de roubo ou furto, o cliente recebe R$ 256, 80% do valor do celular seminovo. Já o iPhone XS Max 512GB tem o plano mais caro: a partir de R$ 96,90 ao mês, com reembolso de quase R$ 5 mil. Em todos os casos é possível pagar um pouco mais ao mês pra receber, em caso de necessidade de reembolso, o valor total do seminovo.

Este é um modelo inusitado adotado pela startup, mas que parece ter dado certo. Afinal, a Pier vê seu faturamento crescer 7% por semana. E de 25% a 30% ao mês, garante Prado.

O risco de fraude ainda é minimizado, segundo ele, pelo senso de comunidade criado ao redor da marca, quando se voltaram ao já citado valor de uma seguradora do passado. “Nós recriamos esse senso de comunidade na forma como oferecemos o seguro, fazendo que a pessoa se sinta menos confortável em cometer fraudes. O diferencial é nossa comunidade”.

E o futuro? Lucas Prado garante que não para nos smartphones. “Até o final do ano vamos expandir as marcas e modelos atendidos no seguro. Mas também queremos ir além”, diz. “Precisamos pensar em meios mais relevantes, como seguro de carro e casa das pessoas. Ainda não sei precisar quando, mas vamos entrar nisso para mexer ainda mais com o setor de seguros”.