Piloto de helicóptero fala de ataque na Vila Cruzeiro: 'Real intenção de abater'

Depois de ter sido alvo do ataque de traficantes da Vila Cruzeiro, quando sobrevoava a favela, o piloto Matheus Braga decidiu mudar a cor de seu helicóptero. No hangar da empresa, no Recreio dos Bandeirantes, a aeronave foi lixada. Não tem mais o azul da lataria, nem a faixa prata ao centro. A mudança é uma medida de segurança, embora o piloto não acredite que o veículo tenha sido confundido com o da Polícia Militar.

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No dia do ataque, era um voo de rotina?

Sim, levei um turista ao Aeroporto do Galeão e o pouso foi normal. Foi quando saí de lá em direção à Igreja da Penha, para seguir a rota da Penha, que fui atacado.

Quantos tiros você acha que deram em sua direção?

Não sou perito, mas, pelo vídeo divulgado por bandidos, acredito que foram uns 200 tiros. Foram bastante.

Você teve noção de que estava sendo atacado?

Foram 30 segundos. Eu vi o para-brisa sendo estilhaçado e, dali em diante, foi tudo muito rápido. Mas não entrei em desespero. Não perdi o controle da aeronave. Eu estava ali preso e tinha que sair da direção dos tiros. Foi quando acelerei para sair daquela zona de conflito.

Quais foram as partes da aeronave atingidas?

No para-brisa e no ponto que chamamos de bico.

Você pensou que fosse morrer?

Com o passar do tempo é que a gente tem noção do perigo. Foi uma questão de sorte eu ter saído dali ileso.

O ataque era direcionado a você?

Eles tinham a real intenção de abater, de derrubar a aeronave. Todos os tiros eram na direção da cabine, onde ficam piloto e passageiro.

Os bandidos confundiram a sua aeronave com a da polícia?

Eu não acredito. Creio que é muito mais uma afronta ao poder público e à sociedade que qualquer outra coisa. Queriam mostrar quem manda na Vila Cruzeiro, que podem fazer o que quiserem. Até no espaço aéreo.

Você agora vai evitar sobrevoar próximo às favelas?

Se não bastasse nossa preocupação em checar instrumentos, conduzir a aeronave com segurança, agora temos que escolher a melhor rota para não sermos alvos. São muitas coisas para gerenciar no voo. O problema é que, principalmente no setor Norte, há dezenas de favelas. Difícil escolher o melhor caminho.

Isso atrapalha o turismo?

A gente faz uma média de 50 voos panorâmicos diários, chegando ao dobro nos fins de semana. Não sei ainda.

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