Piloto que pousou avião de emergência virou heroína nos EUA

Por Laura BONILLA
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Avião da Southweste no aeroporto da Filadélfia, em 17 de abril de 2018, após ter um problema no motor

Tammie Jo Shults, a piloto do avião da Southwest Airlines cuja falha na turbina em pleno voo matou uma mulher de 43 anos, virou heroína por seus nervos de aço e um pouso de emergência perfeito na Filadélfia, salvando outras 148 pessoas a bordo.

Shults foi identificada como a piloto do voo 1380 da Southwest que na terça-feira se dirigia de Nova York a Dallas quando a turbina esquerda do avião 737 explodiu em pleno voo, cerca de 30 minutos após a decolagem.

A piloto de 56 anos, residente do Texas e mãe de dois filhos, foi uma das primeiras mulheres a pilotar caças na Marinha americana nos anos 1980, e também uma das primeiras a pilotar o caça F-18 Hornet.

Manteve a calma em uma conversa com o operador da torre de controle da Filadélfia, minutos antes da aterrissagem de emergência.

"A piloto Tammy Jo foi incrível! Nos fez aterrissar sãos e salvos na Filadélfia", escreveu no Instagram a passageira Amanda Bourman, que viajava com o marido.

"Esta é uma verdadeira heroína americana", escreveu outra passageira, Diana McBride, no Facebook, que elogiou "o conhecimento e valentia" da piloto e contou que após o pouso, Shults "veio falar com cada um de nós pessoalmente".

Usuários das redes sociais comparam Shults com o capitão Chesley "Sully" Sullenberger, o piloto do voo da US Airways que aterrissou no rio Hudson em frente a Manhattan em 2009, após um acidente causado por um pássaro, salvando todos os passageiros e tripulantes. Sua façanha foi contada em um filme indicado ao Oscar, "Sully" (2016), na qual o piloto é interpretado por Tom Hanks.

- Nervos de aço -

"Southwest 1380, temos uma só turbina. Perdemos parte da aeronave, de modo que precisaremos desacelerar um pouco", diz Shuts com voz calma ao operador da torre de controle da Filadélfia, pouco antes da aterrissagem, em um diálogo divulgado pelo canal CBS.

"Os médicos podem nos esperar na pista também? Temos passageiros feridos", acrescenta.

"O avião está fisicamente em chamas?", pergunta o operador. "Não, não está em chamas, mas está faltando uma parte", responde Shults com voz calma. "Disseram que há um buraco e alguém saiu".

Todos diziam a Shults que não poderia ser piloto por ser mulher. A Força Aérea inclusive lhe negou a autorização para passar no exame de aviação, mas a Marinha a aceitou. Lá Shults cresceu como piloto e chegou a aterrissar caças em porta-aviões a 240 km/h.

Eventualmente, se tornou instrutora. Embora não lhe permitissem voar em combate porque era mulher, voava como um piloto agressivo, segundo um fórum de aviação militar que a descreve.

Shults, cristã devota, deixou a Marinha em 1993, e desde então ela e seu marido Dean residem na área de San Antonio, no Texas, e trabalham como pilotos da Southwest.

A mulher que faleceu, de 43 anos, foi identificada por seu empregador como Jennifer Riordan, de Albuquerque, uma mãe de dois filhos que era vice-presidente de uma sucursal do banco Wells Fargo no Novo México.

Estava sentada ao lado de uma janela que explodiu ao receber estilhaços da turbina, foi sugada para o exterior mas, em meio aos gritos e máscaras de oxigênio que caíam, dois passageiros conseguiram segurá-la e colocá-la novamente dentro da aeronave.

Riordan estava gravemente ferida e morreu antes de ser levada ao hospital. Outras sete pessoas tiveram ferimentos leves.

Ainda não se sabe a causa da explosão da turbina, fabricada pela CFM, um joint venture entre a americana General Electric e a francesa Safran.

Robert Sumwalt, chefe da NTSB, organismo federal de segurança dos transportes, admitiu que o incidente se assemelha a outro com uma turbina igual (CFM-56) ocorrido com um B-737 da Southwest em agosto de 2016, que pousou na Flórida sem vítimas.

Sumwalt revelou que a primeira inspeção da turbina mostra que uma pá desapareceu, e falou em "fadiga do metal".

A Southwest anunciou inspeções adicionais nas turbinas CFM-56 por precaução.

Este foi o primeiro acidente fatal em um avião de passageiros americano desde 2009, quando o voo 3407 da companhia regional Colgan Air caiu no estado de Nova York, com um saldo de 49 mortos a bordo e um morto em terra.