Piloto que levou criminosos para Angra será ouvido na delegacia que investiga tentativa de resgate de preso com helicóptero

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RIO — A Polícia Civil espera colher, nas próximas horas, o depoimento do piloto que levou para Angra dos Reis os dois criminosos que pretendiam resgatar um detento do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, usando um helicóptero. O comandante foi intimado a depor. Funcionário de uma empresa de táxi aéreo, ele embarcou com os suspeitos para Angra dos Reis na manhã do último domingo. No entanto, teria se sentido mal e pedido ao piloto da Polícia Civil Adonis Lopes de Oliveira para buscar os passageiros em um hotel de luxo na cidade balneária horas depois de saírem da capital fluminense. Minutos após embarcarem com destino ao Rio, os bandidos renderam Adonis e o obrigaram a seguir para uma das unidades prisionais do complexo.

No momento do sequestro, os criminosos chegaram a indicar o local onde Adonis deveria pousar. Em depoimento, ele acredita ser o Instituto Penal Vicente Piragibe. Os investigadores também trabalham com essa hipótese. Atualmente, 1.400 presos cumprem pena no local, que abriga integrantes da maior facção criminosa do Estado do Rio em cumprimento de pena em regime semiaberto.

— Ele me mostrou uma foto, que na verdade eu nem me interessei muito em saber onde era aquele pavilhão. Essa foto estava embasada e nem ele mesmo sabia onde era o local — contou o comandante após cinco horas de depoimento.

Na noite desta segunda-feira, o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), afirmou que o sequestro da aeronave “causou estranheza a todos”. De acordo com o chefe do Executivo estadual, “não houve nenhuma movimentação de nenhuma natureza na penitenciária, o que faz até a gente achar que era alguém que foi pago e que achou que teria essa condição”.

— Foi muito esquisito o que aconteceu, mas a gente já está investigando para poder entender — disse Castro.

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) abriu um inquérito interno para apurar qual detento poderia ser beneficiado com o possível resgate. Câmeras de segurança do complexo de presídios e possíveis movimentações das facções estão sendo analisadas.

— Quando tivemos notícias com aquela aeronave, houve uma movimentação da área operacional. Os diretores de todas as unidades foram chamados (para irem para seus postos e tentar saber o que aconteceu). Determinamos ainda que as câmeras de segurança sejam auditáveis e revistas. Além disso, a inteligência e a corregedoria (interna da Seap) estão trabalhando para saber se houve movimentação diferente antes e depois da tentativa de resgate — disse o secretário da Seap, o delegado Fernando Veloso, a uma emissora de TV nessa segunda-feira.

Até agora, a Polícia Civil já sabe que os criminosos pagaram R$ 14 mil pelo aluguel da aeronave e que chegaram a se hospedar em um hotel de luxo em Angra dos Reis. No local os criminosos desembolsaram R$ 3 mil de diária.

O secretário de Polícia Civil, o delegado Allan Turnowski, disse que “já existem alguns suspeitos” no sequestro o helicóptero. Ele ainda afirmou que os investigadores estão trabalhando para saber qual facção encomendou o crime.

— A gente já tem alguns suspeitos pra serem identificados. A gente espera em breve dar uma resposta. A gente vai descobrir quem fez e vai fazer uma operação contra esses traficantes e fazer cumprir a lei — disse.

Enquanto o comandante prestava depoimento, o helicóptero passou por perícia e os investigadores colheram impressões digitais que poderão ajudar na identificação dos suspeitos. A aeronave pertence uma empresa de táxi aéreo que fica no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio.

No fim da tarde de segunda-feira, Adonis — junto com policiais da Draco — refizeram parte do trajeto que ele havia feito com os criminosos. Em um helicóptero do governo do estado, o comandante mostrou a rota percorrida entre Bangu e Niterói, cidade onde os criminosos desembarcaram. A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) é a responsável por identificar os passageiros e esclarecer os fatos. O inquérito será conduzido sob sigilo.

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