Pilotos de helicóptero que socorreram jovem de 14 anos morto em São Gonçalo serão ouvidos pela polícia

Carolina Heringer e Rafael Nascimento

RIO — Os pilotos da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil que socorreram o adolescente João Pedo Matos Pinto, de 14 anos, serão ouvidos na Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo. O delegado titular da unidade, Allan Duarte, quer detalhes da ação no complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na última segunda-feira. Os agentes devem ser ouvidos hoje ou quinta-feira.

João foi baleado durante uma operação conjunta das polícias Civil e Federal no Salgueiro. O adolescente foi socorrido em um helicóptero da Core e levado para a base do Serviço Aeropolicial (SAER) da Core, na Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul do Rio. De lá, ele seria levado para o Hospital municipal Miguel Couto, na Gávea, mas foi constatada a sua morte por um médico do Corpo de Bombeiros no momento em que o helicóptero pousou. Ao lado do SAER funciona uma unidade do Corpo de Bombeiros, o Grupamento de Operações Aéreas (GOA), por isso os agentes da Core fizeram contato com os militares, que disponibilizaram uma ambulância na qual João seria levado ao Miguel Couto. Após a constatação da morte de João, o corpo foi levado pelos bombeiros para o Instituto Médico Legal (IML) de Tribobó, em São Gonçalo.

— Amanhã (hoje) ou na quinta-feira vamos ouvir os pilotos da aeronave. Num primeiro momento eles disseram que seguiram uma decisão de campo adotada por um protocolo padrão. Queremos saber que protocolo é esse: se é por causa da limitação da aeronave, se era por causa da autorização do espaço aéreo, se era pela questão dos combustíveis — disse Duarte.

A DH investiga de onde partiu o disparo que matou João Pedro. O adolescente foi baleado em ação conjunta das polícias Civil e Federal. Um dos objetivos era prender o traficante Ricardo Severo, o Faustão, de 41 anos, acusado de controlar o tráfico de drogas no Salgueiro. Segundo a Polícia Civil, o criminoso e cerca de dez seguranças correram para uma rua que fica atrás da casa de João Pedro, na Praia da Luz, na Ilha de Itaoca. Três agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) chegaram à via e houve um intenso confronto. Para escapar, os bandidos pularam os muros de várias residências. Na fuga, alguns passaram por dentro da casa onde o adolescente estava, atirando e lançando granadas nos policiais. Os agentes revidaram. Na troca de tiros, João Pedro foi baleado.

De acordo com fontes ouvidas pelo EXTRA, a operação no Salgueiro foi planejada pela Polícia Federal, que tinha informações de inteligência da quadrilha. A Core foi acionada para dar apoio à ação. Em entrevista ao “RJTV’’, da TV Globo, o pai de João, Neilton Mattos, reclamou da forma que a polícia entrou na casa. O adolescente tinha o sonho de se tornar advogado:

— A polícia chegou lá de uma maneira tão cruel, atirando, jogando granada, sem ao menos perguntar quem era. E eu entendo que se eles conhecessem a índole do meu filho, quem era meu filho, eles não faziam isso.

A família de João reclamou da falta de informações sobre o jovem e afirmou que ficou 17h procurando por ele em hospitais. No entanto, a Secretaria de Estado de Vitimados informou que uma assistente social entrou em contato com a família pouco antes das 22h de segunda-feira informando a um dos tios de João Pedro que o corpo do menino estava no Instituto Médico Legal (IML).