Pinochet, Pablo Escobar e traições: as maiores polêmicas dos bastidores de Chaves

Rafael Monteiro
·6 minuto de leitura
Chaves: todas as brigas por trás de um sucesso de quase quatro décadas (reprodução/Instagram)
Chaves: todas as brigas por trás de um sucesso de quase quatro décadas (reprodução/Instagram)

Uma briga por direitos autorais tirou Chaves da televisão brasileira após quase 36 anos ininterruptos. Criado pelos herdeiros de Roberto Gómez Bolaños, principal roteirista e intérprete do protagonista da série, o Grupo Chespirito pede mais dinheiro no repasse das séries para a Televisa, emissora mexicana responsável por importar o programa para mais de 90 países no mundo. Como a emissora não aceitou a revisão do contrato, os Bolaños decidiram encerrar o acordo com o canal, provocando um efeito dominó catastrófico para os fãs da vila espalhados pelo globo.

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Todo esse imbróglio, apurado no Brasil pelo site Na Telinha, atinge também os nossos países vizinhos, como Peru, Argentina e até o próprio México. Fãs do seriado só deverão voltar a ver o programa na TV aberta ou mesmo nos serviços de streaming quando herdeiros de Bolaños e Televisa chegarem a um acordo - o que possivelmente só vai acontecer nos tribunais. O Grupo Chespirito detém os direitos de todos os roteiros escritos pelo criador do Chaves.

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Quem é fã de Chaves está triste, obviamente, porém, não exatamente surpreso. Quem conhece Chaves e Chapolin a fundo sabe o quanto estes programas de imenso sucesso têm causado todo tipo de briga desde a sua criação. Para refrescar a sua memória, relembramos algumas das muitas tretas envolvendo Bolaños e os seus companheiros de elenco. Convenhamos: uma produção não se tornaria um clássico latino-americano tão longínquo sem algumas confusões.

Brigas judiciais: primeiro com Quico

Para começar, sigamos no universo dos direitos autorais. Antes da briga entre o grupo Chespirito e Televisa, dois dos principais atores do elenco se envolveram em atritos semelhantes com Roberto Gómez Bolaños, criador do programa. O primeiro foi Carlos Vilagrán, intérprete do Quico, que decidiu partir em carreira solo no fim dos anos 1970, protagonizando o programa Ah que Kiko (veja episódio dublado abaixo) na Venezuela. O novo seriado, que também contou com Ramon Valdez, o Seu Madruga, causou irritação em Bolaños, que decidiu registrar os direitos autorais de todos os personagens como resposta. Com isso, todos os atores do elenco foram impedidos de seguir em carreira solo - a começar por Quico.

Expulso por ciúme?

Em entrevista ao programa de Fabio Porchat, realizada em 2016, Carlos Vilagrán disse que foi obrigado a criar o programa na Venezuela após ter sido expulso do Chaves por ciúme de Roberto Gómez Bolaños. "Ficamos juntos por oito anos e fizemos turnês por vários países. Nas coletivas de imprensa, sempre perguntavam mais para mim. Despertou inveja, ciúme… Começaram a querer tirar o Kiko da turma. Eu fui tirado, e o seu Madruga (Ramón Valdés) quis sair em solidariedade. Depois disso, o programa começou a acabar”, afirmou.

Mais direitos autorais: Chaves x Chiquinha

Após muito tempo pedindo os seus direitos, María Antonieta de las Neves ganhou o direito de interpretar a sua personagem Chiquinha em projetos paralelos em 2013. "Foram doze anos de guerra nos tribunais, e por isso nem comemorei quando soube que venci o julgamento, porque até agora a ficha não caiu", disse a atriz. Bolaños sustentava que a filha de Seu Madruga era uma criação 100% sua.

Triângulo amoroso

Essa quase todo mundo sabe: antes de se casar com Roberto Gómez Bolaños, Florinda Meza, intérprete de Dona Florinda, se relacionou com Carlos Villagrán. Porém, é mentira que o motivo da briga entre Villagrán e Bolanõs tenha sido a atriz - até porque o intérprete de Chaves e Meza só foram namorar muito tempo depois do término dela com o Quico. Em conversa com a revista Basta, Villagrán disse que o relacionamento com Florinda “foi uma coisa passageira, que não fez mal a ninguém e que não vale a pena sequer falar disso”.

Traições

Segundo María Antonieta de las Neves, Florinda Meza se envolveu em duas traições com atores do elenco. Durante o programa Magaly Medina, a intérprete de Chiquinha disse que a colega se relacionou com Carlos Villagrán quando ele ainda era casado nos primeiros anos de programa; anos depois, Meza teria repetido o feito, relacionando-se com Bolaños quando este último ainda morava no mesmo teto que Graciela Fernández, sua primeira esposa. Porém, segundo de las Neves, Villagrán e Bolaños realmente nunca brigaram por causa da Dona Florinda: "Nunca os vi discutirem por isso, jamais, porque Quico era muito namorador, ainda que ele também estava casado. Já conheci três ou quatro namoradas de Quico, três esposas", contou ela.

Ligação com Pinochet

Em outubro de 1977, época da ditadura chilena de Augusto Pinochet, Roberto Gomez Bolaños aceitou um convite para se apresentar, com todo o elenco principal de Chaves, no Estádio Nacional do Chile, onde milhares de pessoas foram presas e torturadas pelo regime. Em sua autobiografia, analisada neste estudo, Bolaños minimizou a polêmica. "É óbvio que, para começar, nenhum de nós recordava que o estádio tenha alguma vez sido utilizado como campo de concentração ou coisa semelhante; e para terminar, também é óbvio que, deve-se recordar, que de todo modo havíamos trabalhado ali", disse ele.

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Túmulo do Chaves

Em 2015, o jornal mexicano El Universal revelou que Florinda Meza proibiu o acesso de qualquer pessoa ao túmulo de Roberto Gomez Bolaños, morto em 2014, no cemitério Panteón Francés, na Cidade do México. Porém, como mostram alguns vídeos no Youtube, fãs têm conseguido burlar a segurança (não sem esforço) e prestar homenagem ao humorista.

Pablo Escobar

Em entrevista à revista Basta, Carlos Villagran chocou os fãs ao dizer que Roberto Bolaños participou de festas promovidas pelo narcotraficante Pablo Escobar. “Eu não fui (a festas de Escobar) e tenho orgulho de dizer isso, mas Roberto foi. Não sei quantos foram com ele, mas eu não compareci. Chegaram a me oferecer um milhão de dólares e isso me causou arrepios”, disse o ator. Veja abaixo a thread do Fórum Chaves sobre o caso.

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