Pintura de Caillebotte bate recorde do pintor em leilão em NY

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Quadro de Vincent Van Gogh "Meules de blé" (à esq.), exposto na casa de leilões Christie's, de NY, em 29 de outubro de 2021 (AFP/Ed Jones)

Mais de 300 milhões de dólares, quase a metade em obras de Van Gogh e uma pintura peculiar de Caillebotte comprada por um valor recorde por um museu: o leilão de uma coleção impressionista pela Christie's de Nova York mostra a vitalidade do mercado da arte.

O Museu Getty de Los Angeles comprou, na noite de quinta-feira (11), o quadro "Jeune homme à sa fenêtre", do impressionista francês Gustave Caillebotte por US$ 53 milhões no leilão.

Este valor pulverizou o recorde anterior deste pintor francês, que era de US$ 22 milhões.

A pintura fazia parte da Coleção Cox de Arte Impressionista, que leva o nome do empresário texano Ed Cox, que morreu em 2020.

O leilão também incluiu três obras de Vincent Van Gogh, que totalizaram mais de 150 milhões de dólares, incluindo "Cabanes de bois parmi les oliviers et cyprès", vendida por 71,3 milhões de dólares e que se tornou a quarta pintura mais cara do artista em leilão, de acordo com a Christie's.

"Jeune homme au bleuet", criado por Van Gogh pouco antes de sua morte aos 37 anos, foi vendido por US $ 46,7 milhões.

E também foi estabelecido um recorde para um trabalho sobre papel do holandês, já que "Meules de blé" foi vendido por US$ 35,8 milhões. Essa obra havia sido apreendida pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e desaparecido de circulação, antes de ser comprada pela Cox.

De acordo com a Christie's antes da venda, um acordo foi alcançado entre os herdeiros de Max Meirowsky e os de Alexandrine de Rothschild, a quem a obra apreendida havia pertencido.

Em um comunicado, o Museu Getty celebrou o sucesso do lance pela pintura de Caillebotte, que classificou como "obra-prima do realismo urbano moderno do século XIX". O estabelecimento anunciou que irá expô-la em 2022.

O óleo sobre tela de 116x81 representa um homem de terno escuro, de costas, que parece olhar, pela janela, uma mulher ao longe em uma rua parisiense.

"Já sabíamos que os Caillebotte de grande qualidade estavam sendo procurados (...) Só faltava uma consagração como esta, num grande leilão e também com um museu muito importante como destino", reagiu o diretor-geral da Christie's, Guillaume Cerutti.

Uma pintura de Paul Cézanne, "L'Estaque aux toits rouges", também foi vendida por US $ 55,3 milhões.

Mais de 20 peças que abarcam a história do impressionismo - incluindo obras de Claude Monet, Edgar Degas, Pierre-Auguste Renoir e Berthe Morisot - totalizaram US$ 332 milhões no leilão, que aconteceu no Rockefeller Center de Manhattan.

A casa de leilões voltou a reunir o público em Nova York após várias sessões totalmente virtuais devido à pandemia, mas num formato híbrido, em que foi possível licitar diretamente na sala, a partir de Londres e Hong Kong, ou também online.

Na mesma noite, a Christie's teve um bom desempenho em um leilão com obras do século XX, no qual, por exemplo, um retrato de Jean-Michel Basquiat de Andy Warhol foi vendido por US$ 40 milhões.

"Sabemos que apesar da covid, a demanda continuou muito forte. No ano passado tivemos mais dificuldades do lado da oferta porque os vendedores queriam esperar. Este ano, os elementos estão mais alinhados", explicou Cerutti.

O pico desta temporada de leilões é esperado na segunda-feira na Sotheby's, com a coleção de arte contemporânea de Macklowe, considerada a mais cara já leiloada.

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