'Pior velocista do mundo' deixa atletismo com apenas duas provas oficiais

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O dia é 13 de agosto de 2016. Richson Siemon, um jovem americano de 18 anos, filho de pais nascidos nas Ilhas Marshall, um pequeno arquipélago no Oceano Pacífico, passa ofegante pela quase vazia zona mista do Estádio Olímpico Nilton Santos. O colã suado não indica que sua trajetória como atleta olímpico havia durado apenas 11s81, o pior resultado entre todos os corredores dos 100m rasos.

Na manhã pouco interessante do atletismo, ele concentra atenções na zona mista pelo desempenho ruim e se diverte, imita Usain Bolt à pedido da imprensa, apesar do óbvio deboche. Questionado por meia dúzia de jornalistas sobre como se sentia a respeito da prova, surpreende:

— Odeio correr.

Quase cinco anos depois, o sentimento pelo esporte mudou. Do Havaí, acompanha de longe, sem prestar muito atenção, os dias de competição nos Jogos de Tóquio. Richson Simeon não é mais atleta e se lamenta por isso.

— Do fundo do meu coração, eu sinto falta de tudo no atletismo. Se eu pudesse voltar no tempo, eu teria treinado mais e me preocupado menos com o que era distração. Eu sinto que hoje, mais maduro, eu seria um velocista melhor.

A história do velocista mais lento dos Jogos do Rio começa seis meses antes do dia 13 de agosto de 2016. Richson Simeon era mais um jovem de Sacramento, na California, estudante da faculdade comunitária da cidade — nos EUA, as communities colleges são mais baratas do que as universidades privadas e geralmente são frequentadas por pessoas de menor renda. Pequeno em altura, sem músculos proeminentes, ainda assim fazia parte do time de futebol americano. Jogava de lineback e às vezes postava vídeos de suas jogadas no Youtube para que seus país, nas Ilhas Marshall, pudessem assistir.

Um desses lances chegou ao Comitê Olímpico das Ilhas Marshall. Simeon até que corria bem, pensaram. Atrás de pessoas para preencherem suas cotas no atletismo nos Jogos do Rio — o Comitê Olímpico Internacional reserva vagas para todos seus países-membros, ainda que não tenham índice para tal — foram até o garoto e o convidaram para se preparar para disputar os 100m rasos. Ele aceitou.

Simeon viveu dias de sonho no Rio. Desfilou na cerimônia de abertura no Maracanã usando trajes típicos do povo nativo da ilha, turistou pela cidade — ele destaca que se lembra ter se sentido seguro ao passear pelas ruas do Rio — e ainda foi modelo em uma campanha contra o aquecimento global que aconteceu na Vila Olímpica.

Só faltou se preocupar mais com a competição. O garoto que caiu de paraquedas no maior evento esportivo mundial aqueceu para sua prova ao lado de "uma mulher de cabelo verde". Ele não sabia, era a então bicampeã olímpica Shelly-Ann Fraser-Pryce, maior nome dos 100m rasos na atualidade.

De volta à realidade nos Estados Unidos, as coisas não foram fáceis para Simeon. Ele ainda tentou seguir no atletismo. A corrida no Rio havia sido a sua primeira oficial. Em setembro de 2017, disputou sua segunda e última prova na vida: os 60m nos Jogos Asiáticos Indor, no Turcomenistão.

Ele acabou saindo da equipe de atletismo das Ilhas Marshall depois. O motivo é um mistério. Nos últimos três anos, trabalhou em uma plantação legal de maconha na California. Em novembro, se mudou para trabalhar no Havaí. Simeon não se afastou da vida que tinha antes apenas fisicamente. Ele abandonou as redes sociais antigas e os colegas de delegação nos Jogos do Rio perderam contato. Em seu Instagram, não há referências ao seu nome, nem uma foto sua no perfil. O jovem que competiu na mesma pista que viu a consagração final de Usain Bolt parece não fazer questão de mostrar isso para os outros.

— Desde que eu fui embora do Rio, minha vida ficou muito diferente. Tive meus altos e baixos, mas sou grato pela opotunidade que tive de ir aos Jogos.

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