Crise humanitária piora no Tigré e não há provas de retirada da Eritreia, aponta ONU

Philippe RATER
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Uma mulher caminha em frente a uma casa danificada que foi bombardeada quando forças alinhadas com o governo federal entraram na cidade, em Wukro, ao norte de Mekele, em 1º de março de 2021

A situação humanitária se agrava na região etíope do Tigré, onde pessoas começam a morrer de fome, mas não se observa a retirada das forças da Eritreia daquela zona em conflito, apontou o subsecretário-geral para Assuntos Humanitários da ONU, Mark Lowcock, que participou de uma reunião a portas fechadas do Conselho de Segurança, a primeira sobre o assunto em mais de um mês, convocada pelos Estados Unidos.

Não há "provas" que confirmem a retirada da região das forças militares eritreias, acusadas de abusos e cuja saída foi anunciada no final de março pelo primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, que em 2019 recebeu o Prêmio Nobel da Paz por seu papel para acabar com a guerra entre a Etiópia e a Eritreia.

"Infelizmente, devo dizer que nem a ONU nem nenhuma das agências humanitárias com as quais trabalhamos viram evidências da retirada da Eritreia", segundo o discurso de Lowcock, obtido pela AFP. "Sem um cessar-fogo, esta séria crise humanitária só vai piorar", alertou o funcionário, que reiterou "a necessidade de as Forças de Defesa da Eritreia acabarem com as atrocidades e se retirarem. Anunciar não é o mesmo que fazê-lo".

A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Linda Thomas-Greenfield, declarou que o país "está horrorizado com as informações que continuam aparecendo sobre estupros e outros tipos de violência sexual inacreditavelmente cruéis". Ela advertiu que a Eritreia "deve retirar suas forças da Etiópia imediatamente".

Mark Lowcock também relatou comentários sobre soldados eritreus vestindo uniformes etíopes, afirmando que "independentemente do uniforme ou insígnia, o pessoal humanitário continua a relatar novas atrocidades que afirmam estar sendo cometidas pelas Forças de Defesa da Eritreia".

No entanto, ele indicou que "os eritreus não são o único ator" na crise e mencionou relatos de "civis atacados e expulsos de suas casas no oeste do Tigré pelas milícias da (região de) Amhara".

O primeiro-ministro Ahmed anunciou no início de novembro o envio do exército federal à região para prender e desarmar os líderes da TPLF (Frente de Libertação do Povo do Tigré), cujas forças de Addis Abeba acusam de atacar campos das forças federais.

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