Piores e melhores: as propagandas no surfe

Por Guilherme Daolio e Emanuel Araújo

O mundo do surfe tem uma beleza única. E como tudo o que é singular, rende muito dinheiro às marcas. Usar imagens das paradisíacas praias e ondas de cinema seria um campo fértil para quem vive em escritórios. O Yahoo! mostra como o mundo da propaganda encara o surfe.

Beleza x Beleza

Esta é a expressão no rosto de quem entuba ondas com mais de 2 metros de altura (REPRODUÇÃO/YOUTUBE)

Coco Chanel não é uma grife de surfe, mas resolveu apostar na beleza de Gisele Bündchen para divulgar uma nova linha de perfume. O que não dá pra imaginar é a top model descer uma onda com mais de dois metros com a naturalidade de quem está na passarela.

Alguém que já tenha assistido a uma surfista entubar imagina o esforço e a adrenalina daquele momento. Só mesmo na computação gráfica para a Gisele entrar em um tubo olhando pra casa com uma expressão calma. Apesar de toda beleza envolvida, o surfe parece ter pouco (ou nenhum) sentido na propaganda.

Pagando no tubo

A foto parece alertar sobre a dependência do celular, mas não passa de uma ‘viagem’ da propaganda (Youtube)

Aliás, sentido é algo que ainda tentamos buscar na esquisita sugestão de Pizza Hut e Visa. Com narração de Morgan Freeman (o ‘Deus’ do filme “Todo Poderoso”), o surfista de elite Kolohe Andino, mostra que é possível “pagar uma pizza em uma das ondas mais pesadas do planeta”. Teahupoo, que na língua nativa significa ‘praia dos crânios quebrados’, não parece ser o lugar certo para mostrar o quanto é fácil pagar e como é rápido a entrega de uma pizza – ainda que esteja no meio do Oceano Pacífico.

O vídeo entra para lista do ‘já vimos de tudo’.

Motosurf em Teahupoo

Teahupoo parece mesmo ser o sonho de todo publicitário. O palco agora é de um personagem mais ousado. O piloto de motocross estilo livre Robbie Maddison uniu trabalho e hobby em um só lugar. Apesar de ser surfista, ele escolheu chamar mais atenção pilotando sua moto no meio do Oceano Pacífico:

“Se eu não fosse um surfista, jamais teria imaginado isso, para não mencionar o fato de ter o conhecimento de leitura da onda. Honestamente, tudo que imaginava precisar para surfar a onda com a minha moto estava errado, mas depois de assistir algumas cenas percebi que tinha de ficar mais acima, na face da onda”, Robbie Madison – Piloto de motocross e surfista

Foram dois anos planejando e 15 dias de testes em uma das maiores ondas do mundo. Maddo, como é conhecido, definiu a experiência como “estranha e forte”. Apesar do iminente risco de morte em meio a cada onda, ele revela que recebeu apoio da família, inclusive de sua esposa, a atleta de wakeboard Amy Sanders.

A moto passou por modificações: colete no motor, esquis e capacete flutuantes (DC Shoes)

O filme, de aproximadamente 4 minutos, é um passeio pela ilha e apresenta outra perspectiva de uma das ondas mais temidas do mundo. Vale a pena conferir.

Como deu pra perceber, a propaganda já ‘viajou’ pelo sete mares em que o surfe esteve. Em alguns, o esporte ou a propaganda perderam o sentido. Em outros, jogou fora o significado da palavra impossível. Depois de Robbie Maddison, ficará difícil fazer publicidade melhor. Se você fosse o diretor, qual seria sua história com o surfe?