'Piratas' sequestram pescadores na Ilha de Marajó: 'Se ficar olhando leva bala na cabeça'

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RIO - Após um dia inteiro na Baía de Marajó, João Batista Gama da Silva, o Jango, resolveu começar a recolher as redes de pesca, no fim da tarde de quinta-feira. O sol já baixava quando de repente ele percebeu uma embarcação com seis homens encapuzados se aproximando. Armados, os criminosos o renderam e também levaram seu colega, Ronaldo Pereira, que estava em outro barco.

Pereira e Jango foram sequestrados pelos "Piratas do Marajó". Eles ficaram cerca de 24 horas sob a mira dos revólveres e espingardas, em um casebre nas margens do Igarapé do Cedro, na região. A dupla passou a maior parte do tempo amarrada, com braços e pernas atados, especialmente Ronaldo.

- Eles ficaram o tempo todo ameaçando, dizendo que se a gente ficasse olhando levaria uma bala na cabeça. E o tempo todo batendo no Ronaldo. Daí eles disseram que iriam me matar também porque eu estava defendendo o Ronaldo. Eles vinham bêbados e batiam - disse Jango em uma live no Facebook.

O pescador explicou o motivo da violência com seu colega. De acordo com Jango, esse foi o terceiro assalto sofrido por Ronaldo pela mesma quadrilha. E na última vez ele mentiu para os piratas dizendo que sua rede de pesca era velha. No sequestro dessa semana, Ronaldo chegou a ser amarrado em um tronco. Depois, os piratas obrigaram Jango a colocar o amigo de peito no assoalho.

Enquanto estavam em poder dos piratas, os moradores de Colares protestavam contra a violência na Baía do Marajó e chegaram a atear fogo em frente a Prefeitura do município. Amigos dos pescadores também pegaram seus barcos e saíram por conta própria à procura dos desaparecidos, durante a noite.

Jango ficou emocionado com a iniciativa dos moradores de Colares, mas avaliou que foi melhor eles não terem encontrado o cativeiro onde estavam. Ele explicou que havia dois homens armados vigiando a entrada do igarapé para onde ele e Ronaldo foram levados.

- Se eles entrassem ontem, a essa hora, no igarapé não iria prestar, ia ser só o tiroteio. Deixa eu te dizer, eles colocaram um saco de balas aqui, um outro de lá, depois dividiram para todos, principalmente para os que vigiavam o igarapé - contou Jango.

A agonia da dupla aliviou por volta das 4h do dia seguinte, quando os bandidos falaram que os pescadores poderiam sair, assim que os perdessem de vista. Os bandidos fugiram com os camarões, redes de nylon, motores e outros equipamentos de pesca roubados.

- O mais velho disse para não mexerem no meu barco, mas eles quebraram tudo e levaram o motor, a bateria, tudo - disse Jango. Remamos com tabocas porque jogaram tudo fora, e fomos até a boca (do igarapé), aí chegou a manhã, deixamos clarear e viemos embora - acrescentou.

Os dois foram encontrados pela Polícia Militar do Pará na manhã de sexta-feira, à deriva, nas proximidades do Igarapé do Cedro, no município de Vigia.

"Durante as buscas, uma arma de fogo do tipo caseira, calibre 36, foi encontrada em uma casa abandonada onde, supostamente, os criminosos estariam escondidos. O caso foi registrado na Delegacia de Polícia Civil do município", informou a PM, por meio de nota.

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