Pisa: 36% de pais no Brasil apontam horário das reuniões como empecilho para participação na escola

Bruno Alfano
Insegurança impede um a cada seis pais de participarem da vida escolar de seus filhos

RIO — Cerca de um terço (36%) dos pais no Brasil afirmam que os horários das reuniões dificultam a participação nas escolas de seus filhos, segundo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o grupo de países ricos.

A pesquisa foi realizada em 17 países e divulgada nesta terça-feira, junto com os resultados do Pisa (veja aqui), também aplicado pela OCDE. O estudo ouviu pais dos alunos que fizeram a prova — só no Brasil, foram 10 mil estudantes testados.

Além dos horários e dificuldade de ser dispensado do trabalho (apontado por 33% dos entrevistados), falta de segurança e dificuldade de transporte também foram citados como complicadores por, respectivamente, 18% e 13% dos responsáveis.

Isso significa que um a cada seis pais não participa mais da vida escolar do filho no Brasil por conta da insegurança. Esse índice chega a um a cada três no México e no Panamá.

Ainda de acordo com a OCDE, o Brasil tem uma das menores taxas de pais que participam de alguma atividade na escola entre os 78 países ou economias do Pisa.

De acordo com os diretores ouvidos no país, apenas 30% dos pais buscam os professores por conta própria para discutir o progresso de seus filhos e só 15% se voluntariam em alguma atividade extracurricular.

Nos países da OCDE, cerca de 41% dos pais dos alunos discutiram o progresso de seus filhos com um professor por iniciativa própria. No entanto, apenas 12% se voluntariaram para atividades físicas ou extracurriculares — índice mais baixo que os brasileiros.

Outro motivo alegado como um empecilho para a participação é a falta de informação. Um a cada cinco pais brasileiros afirmou que não frequenta o colégio do filho porque não sabe como poderia participar das atividades.

Em média, nos nove países e economias da OCDE que distribuíram o questionário para os pais, os problemas que os pais mais citavam como dificultando sua participação nas atividades escolares também estavam relacionados ao tempo: incluíam a necessidade de trabalhar (34%) e a inconveniência dos horários das reuniões (33%).

Estudos já descobriram que o envolvimento dos pais na educação de seus filhos tem um efeito positivo nos resultados dos alunos, mesmo que o efeito seja amplamente dependente da qualidade desse envolvimento.

"O envolvimento construtivo dos pais nas atividades escolares tem sido associado positivamente a, entre outras coisas, desempenho dos estudantes, habilidades sociais, bom comportamento, relações positivas com colegas de escola e saúde mental", afirma o relatório da OCDE.

Desempenho mínimo

De acordo com o resultado do teste de 2018, divulgado nesta terça-feira, 43% dos participantes brasileiros não aprenderam o mínimo necessário nas três áreas do conhecimento testadas: Leitura, Matemática e Ciências.

Neste mesmo quesito, a média dos países que formam a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o grupo de países ricos do qual o governo Bolsonaro quer fazer parte, é de apenas 13%.

O pior desempenho, considerando o aprendizado mínimo de apenas uma avaliação, foi em Matemática. Do total de alunos participantes, 68,1% não conseguiram esse patamar.

Isso significa que não conseguem usar algoritmos, fórmulas, procedimentos ou convenções básicas para resolver problemas que envolvam números inteiros — por exemplo, calcular o preço aproximado de um objeto em uma moeda diferente ou comparar a distância total entre duas rotas alternativas.

Mais de 90% dos estudantes em Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang (China), Hong Kong (China), Macau (China) e Cingapura, e perto de 90% na Estônia, alcançaram esse nível.

Em Ciências, 55,3% dos brasileiros não atingiram a aprendizagem mínima. Assim, eles não conseguem demonstrar conhecimento epistêmico básico, não sendo capazes, entre outras habilidades, de identificar questões que podem ser investigadas cientificamente.

Já no quesito Leitura, o melhor desempenho do Brasil, metade dos estudantes não atingiu a nota mínima esperada para essa idade. Assim, não conseguem nem identificar a ideia principal em um pedaço de texto.

Quando atingem esse nível de leitura, os alunos poderiam ainda "interpretar o significado em uma parte limitada do texto quando a informação não é proeminente, produzindo inferências básicas".

A boa notícia é que, em 2015, esses percentuais eram um pouco maiores: 70,25% em Matemática, 56,6% em Ciências e 50,99% em Leitura.