Pisa: elite dos alunos brasileiros fica atrás de estudantes pobres de dez países em Leitura

Bruno Alfano
Alunos pobres de províncias chinesa têm desempenho melhor que elite brasileira

Os alunos brasileiros da elite econômica e cultural tiveram desempenho em Leitura mais baixo do que os estudantes mais pobres de dez países ou regiões testadas no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa).

A informação foi divulgada nesta terça-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que aplica os testes no mundo.

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Neste quesito, o grupo de mais ricos brasileiros ficou com 470 pontos. A média geral do país é de 413.

No entanto, os alunos mais pobres das províncias chinesas (Beijing, Xangai, Jiangsu e Zhejiang), Macau, Estônia, Hong Kong, Singapura, Canadá, Finlândia, Irlanda, Coreia do Sul e Reino Unido tem desempenho acima de 470. Eles variam entre 471 (Reino Unido) a 519 (províncias chinesas).

Ao todo, 78 países e economias realizaram a avaliação — nem todos, como o Brasil, compõem a OCDE, que é responsável pela aplicação do Pisa. Como o teste foi feito em 2018, não inclui a gestão Jair Bolsonaro, que tem como meta incluir o Brasil na OCDE.

São mais de 600 mil alunos participantes, entre 15 e 16 anos, de escolas públicas e particulares. Eles representam 32 milhões de jovens.

— Mesmo as nossas escolas de elite, quando são submetidas a testes que medem outras competências que não a cognitiva tradicional, se deparam com uma realidade que não é muito agradável — afirma Caio Sato, coordenador do núcleo de inteligência do Todos Pela Educação.

Já José Francisco Soares, membro do Conselho Nacional de Educação (CNE) e ex-presidente do Inep, afirma que o problema no Brasil é a desigualdade.

— Temos uma porcentagem pequena de estudantes nos níveis 5 e 6. Como o Brasil é grande, esta pequena porcentagem resulta em muitos alunos.  Temos  também escolas cujo desempenho é similar às escolas de países como os citados — afirmou o especialista: —Nosso problema é a média. A média brasileira, por causa das desigualdades é sempre  muito baixa. A comparação  que precisa ser feita é com o Vietnam em 2015. Um pais pobre que, incluindo a todos, obteve bons resultados. 

O Brasil está estagnado há uma década entre os piores níveis de aprendizado avaliados pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). De acordo com o resultado do teste de 2018, divulgado nesta terça-feira, 43% dos participantes brasileiros não aprenderam o mínimo necessário nas três áreas do conhecimento testadas: Leitura, Matemática e Ciências. Neste mesmo quesito, a média dos países que formam a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é de apenas 13%.

A média brasileira ficou em 413 no quesito Leitura (57º do mundo), 384 em Matemática (70º) e 404 em Ciências (64º). As notas são levemente mais altas do que o último resultado, de 2015, mas insuficientes para serem consideradas um avanço, segundo o relatório da OCDE.

"No Brasil, o desempenho médio em matemática melhorou no período 2003-2018, mas a maior parte dessa melhoria ocorreu até 2009. Depois, em matemática, como em leitura e em ciência, o desempenho médio ficou estável", diz o texto.

O pior desempenho, considerando o aprendizado mínimo de apenas uma avaliação, foi em Matemática. Do total de alunos participantes, 68,1% não conseguiram esse patamar.

Isso significa que não conseguem usar algoritmos, fórmulas, procedimentos ou convenções básicas para resolver problemas que envolvam números inteiros — por exemplo, calcular o preço aproximado de um objeto em uma moeda diferente ou comparar a distância total entre duas rotas alternativas.

Mais de 90% dos estudantes em Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang (China), Hong Kong (China), Macau (China) e Cingapura, e perto de 90% na Estônia, alcançaram esse nível.

Em Ciências, 55,3% dos brasileiros não atingiram a aprendizagem mínima. Assim, eles não conseguem demonstrar conhecimento epistêmico básico, não sendo capazes, entre outras habilidades, de identificar questões que podem ser investigadas cientificamente.

Já no quesito Leitura, o melhor desempenho do Brasil, metade dos estudantes não atingiu a nota mínima esperada para essa idade. Assim, não conseguem nem identificar a ideia principal em um pedaço de texto.

Quando atingem esse nível de leitura, os alunos poderiam ainda "interpretar o significado em uma parte limitada do texto quando a informação não é proeminente, produzindo inferências básicas".

A boa notícia é que, em 2015, esses percentuais eram um pouco maiores: 70,25% em Matemática, 56,6% em Ciências e 50,99% em Leitura.