Pisa: ministro errou 'palpite' de que Brasil seria último da América do Sul

Bruno Alfano

RIO — O ministro da Educação, Abraham Weintraub, errou, há duas semanas, o "palpite" sobre a posição do Brasil no Pisa. Segundo ele, o resultado de 2018 colocaria o país "no último lugar da América do Sul".

A média brasileira ficou em 413 no quesito Leitura (57º do mundo), 384 em Matemática (70º) e 404 em Ciências (64º). As notas são levemente mais altas do que o último resultado, de 2015, mas insuficientes para serem consideradas um avanço, segundo o relatório da OCDE.

Apesar disso, o Brasil não ocupou a última colocação em nenhuma das áreas de conhecimento avaliadas. Colômbia, Argentina e Peru tiveram desempenhos piores em Leitura; a Argentina também ficou abaixo do Brasil em Matemática e em Ciências. Neste último quesito, o Peru também teve desempenho pior que o dos brasileiros.

O Chile teve o melhor desempenho do continente em Leitura e Ciências. Já em Matemática, quem lidera é o Uruguai. Mesmo assim, estão abaixo da média da OCDE.

Weintraub dará uma entrevista coletiva na sede do Ministério da Educação a partir das 10h desta terça-feira comentando os resultados.

O Brasil está estagnado há uma década entre os piores níveis de aprendizado avaliados pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). De acordo com o resultado do teste de 2018, divulgado nesta terça-feira, 43% dos participantes brasileiros não aprenderam o mínimo necessário nas três áreas do conhecimento testadas: Leitura, Matemática e Ciências.

Neste mesmo quesito, a média dos países que formam a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é de apenas 13%.

O pior desempenho, considerando o aprendizado mínimo de apenas uma avaliação, foi em Matemática. Do total de alunos participantes, 68,1% não conseguiram esse patamar.

LEIA TAMBÉM:

- Pisa: 36% de pais no Brasil apontam horário das reuniões como empecilho para participação na escola

- 'Falta reforma sistêmica no ensino', diz especialista sobre uma década de estagnação do Brasil no Pisa

Isso significa que não conseguem usar algoritmos, fórmulas, procedimentos ou convenções básicas para resolver problemas que envolvam números inteiros — por exemplo, calcular o preço aproximado de um objeto em uma moeda diferente ou comparar a distância total entre duas rotas alternativas.

Mais de 90% dos estudantes em Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang (China), Hong Kong (China), Macau (China) e Cingapura, e perto de 90% na Estônia, alcançaram esse nível.

Em Ciências, 55,3% dos brasileiros não atingiram a aprendizagem mínima. Assim, eles não conseguem demonstrar conhecimento epistêmico básico, não sendo capazes, entre outras habilidades, de identificar questões que podem ser investigadas cientificamente.

á no quesito Leitura, o melhor desempenho do Brasil, metade dos estudantes não atingiu a nota mínima esperada para essa idade. Assim, não conseguem nem identificar a ideia principal em um pedaço de texto.

Quando atingem esse nível de leitura, os alunos poderiam ainda "interpretar o significado em uma parte limitada do texto quando a informação não é proeminente, produzindo inferências básicas".

A boa notícia é que, em 2015, esses percentuais eram um pouco maiores: 70,25% em Matemática, 56,6% em Ciências e 50,99% em Leitura.

O Pisa foi realizado por cerca de 10 mil alunos brasileiros de escolas públicas e privadas, com idades entre entre 15 e 16 anos.

"No Brasil, o desempenho médio em matemática melhorou no período 2003-2018, mas a maior parte dessa melhoria ocorreu até 2009. Depois, em matemática, como em leitura e em ciência, o desempenho médio ficou estável", diz o texto.