Pisa: OCDE divulga hoje resultado de avaliação mundial da educação

Bruno Alfano e Bruno Alfano

RIO — A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulga hoje, a partir das 5h, os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2018.

O teste é amostral e, no Brasil, foi realizado por cerca de 10 mil alunos de escolas públicas e privadas. Eles tinham entre 15 e 16 anos no momento da avaliação.

As avaliações abrangem três áreas do conhecimento: Leitura, Matemática e Ciências. Participaram 600 mil estudantes de 78 países e economias, que representam 32 milhões de jovens pelo mundo. Neste ano, o foco será em Leitura.

"Além de observar tais competências, o Pisa coleta informações para a elaboração de indicadores contextuais que possibilitam relacionar o desempenho dos alunos a variáveis demográficas, socioeconômicas e educacionais. Essas informações são coletadas por meio da aplicação de questionários específicos para os alunos, para os professores e para as escolas", afirma o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão que é vinculado ao Ministério da Educação (MEC) e responsável pela aplicação dos testes no Brasil.

Os resultados brasileiros, no entanto, não foram animadores nos últimos anos. Em 2015, o Brasil ficou nas últimas colocações: 63ª em Ciências, na 59ª em Leitura e na 66ª em Matemática.

A avaliação daquele ano mostrou que o país está praticamente estagnado na última década em comparação com últimos resultados do teste, que começou em 2000.

Além disso, na edição passada, a maioria dos estudantes brasileiros tinha um nível de proficiência abaixo do que é considerado o nível básico.

— Comparações como o Pisa nunca são fáceis, mas as considero importantes. O Pisa ajudou formuladores de políticas públicas a estabelecer metas significativas, com base em objetivos mensuráveis. E, talvez o mais importante, o Pisa dá oportunidade para que os profissionais tenham uma visão muito mais clara de seus próprios sistemas educacionais. Eles devem ser profundamente compreendidos antes que possam ser modificados — avalia Andreas Schleicher, diretor de Educação da OCDE e criador do teste.

'Palpite'

Há duas semanas, o Ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou que o Brasil deve ocupar o último lugar da América Latina no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês).

— Vai sair o (resultado do) Pisa, e o Brasil estará no último lugar da América do Sul. Nós seremos o fruto desses 16 anos de PT e de abordagens esquerdistas — criticou o ministro durante cerimônia no Palácio do Planalto. — A eleição do senhor (de Bolsonaro) vai apresentar um ponto de inflexão. Infelizmente, não vamos conseguir atingir ao final do seu segundo mandato patamares como Coreia, mas vamos colocar, sim, a educação do Brasil em primeiro lugar na América Latina.

Questionado se já tinha visto os resultados do Pisa, o ministro disse que se tratava apenas de um "palpite".

— Eu diria que tem uma grande probabilidade da gente estar figurando nas últimas posições dependendo da categoria. Estou supondo com base em números robustos — disse Weintraub.