Pitbull quase mata cachorro que passeava com o dono em Ipanema; animal estava solto e sem focinheira

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Um cachorro da raça Husky Siberiano ficou gravemente ferido após ser atacado por um Pitbull na manhã desta segunda-feira, em Ipanema. O ataque ocorreu na esquina da Avenida Visconde de Pirajá com a Rua Gomes Carneiro e, segundo populares presentes no local, o Pitbull estava sem guia e sem focinheira — item de segurança obrigatório para a raça, conforme determina a lei estadual 4.597/05. O cão sobreviveu, mas precisou levar 11 pontos ciríurgicos e permanece à base de fortes analgésicos.

O contador Miquéias Simões conta que ele e seu cachorro Jonhy, de cinco anos, passeavam pela calçada quando um homem — que optou por não prender seu Pitbull na coleira — disse “Pode deixar ele chegar perto. Ele é manso”. Poucos segundos depois, Johny foi atacado pelo animal com uma mordida na cabeça.

Quando o Pitbull finalmente soltou a cabeça do Husky, que apresentava ferimentos e gania muito, seu dono o segurou e se afastou. Momentos depois, o cachorro voltou a correr na direção do Husky, dessa vez atacando a sua barriga e uma das patas.

— Eu fiquei em estado de choque, só pensava em sair daquela situação e levá-lo para a emergência. Uma multidão se juntou para tentar fazer o Pitbull abrir a mandíbula: jogaram água, deram puxões, empurrões, chutes, mas nada adiantava. Depois, quando ainda me preparava para levá-lo ao veterinário, houve mais um ataque, dessa vez na barriga: foram uns cinco minutos de gritos, choro e ganidos até o Pitbull soltá-lo ensanguentado. Na hora, achei que o Jonhy fosse morrer — conta Simões, que, após o incidente, levou seu pet imediatamente a uma emergência veterinária em Copacabana, onde passou o dia hospitalizado.

Ainda segundo o contador, seu pet está precisando tomar Tramal devido às fortes dores que ainda sente, além de antibióticos.

Uma moradora que passava a pé pelo bairro testemunhou a cena. Ela conta que, após o segundo ataque, o dono do animal agressor saiu caminhando sem prestar qualquer socorro, levando seu cachorro preso somente por uma coleira de peito.

— Durante todo o tempo, pessoas revoltadas com a cena argumentavam que aquele animal jamais poderia andar solto, sem guia e sem focinheira. E o dono apenas repetia que o animal era bom e que isso nunca havia acontecido antes. E se fosse uma criança? Um adulto? Ou um cachorro de pequeno porte? Esse dono precisa ser responsabilizado por esse absurdo. Não podemos andar nas ruas e nos deparar com feras soltas — afirma a jornalista Daniela Matta.

Além das fortes dores e do trauma sofrido, o ataque resultou em dez pontos na barriga e mais um na cabeça de Jonhy, que se recupera em casa. O dono do pet fez um registro de ocorrência on-line na noite desta terça-feira para ver se, a partir de câmeras de segurança da lanchonete de esquina ou de prédios próximos, o dono do Pitbull seja localizado pela Polícia Civil.

— A culpa não é do animal. Isso poderia ter sido facilmente evitado se o dono tivesse colocado uma focinheira nele. Tem um parcão na Praça General Osório, então passam muitos cachorros com seus donos por ali diariamente: ele colocou todo mundo em perigo. O que devo fazer agora? Não sair mais com o Jonhy? Não confiar mais em ninguém que diz que o cachorro é manso? É um sentimento de muita impotência. Foi uma cena terrível que não vou conseguir esquecer — lamenta o contador.

Jéssica Andrade, veterinária que atendeu o pet na emergência, alertou que o trauma sofrido poderia ter sido fatal se ele fosse um cão menor:

— O tutor do Jonhy chegou bem nervoso, em choque após o ataque do Pitbull. O cão, que é extremamente dócil, estava com a pata esquerda mancando e com uma ferida bem profunda na cabeça e na orelha. Mas o que mais me preocupou foram duas feridas abdominais bem profundas. Ele precisou ser sedado. O trauma poderia ter sido muito mais grave se o Jonhy não fosse grande: se fosse um animal pequeno, com certeza teria morrido. Por isso, não ande com seu cão sem coleira. Nosso animal é nossa responsabilidade, precisamos ter controle deles nos espaços comuns.

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