Pix: 1º dia de operação teve 1 milhão de transações entre instituições diferentes; BC vê eventuais problemas como ‘naturais’

Gabriel Shinohara
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Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil / MArcello Casal Jr/Agência Bras
Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil / MArcello Casal Jr/Agência Bras

No primeiro de operação plena do Pix, novo sistema de pagamentos e transferências instantâneas, o Banco Central (BC) registrou mais de 1 milhão de transações entre instituições diferentes. Na avaliação da autarquia, todo o processo ocorreu de forma normal, apesar de “incidentes pontuais”.

Em nota, o Banco Central disse que o primeiro dia de operação comprova, com números expressivos, a “efetividade do novo meio de pagamento e o enorme interesse dos usuários”. Algumas pessoas que tentaram usar o Pix nesta segunda-feira reletaram lentidão no processo.

“Os sistemas operados pelo Banco Central apresentaram disponibilidade total e pleno funcionamento ao longo de todo o dia. Os incidentes identificados com as instituições financeiras e de pagamentos ocorreram principalmente nas primeiras horas de operação e foram acompanhados de perto pelo Banco Central, tendo sido solucionados rapidamente, não comprometendo a avaliação geral bastante positiva do primeiro dia de funcionamento amplo do Pix”.

Segundo o BC, eventuais problemas, como um tempo um pouco maior do que os prometidos 10 segundos para que a transação se concretize são naturais.

“Embora tenha havido situações pontuais em que o efetivo crédito na conta do cliente tenha sido feito em tempo superior ao exigido nos requisitos de nível de serviço, esses incidentes foram considerados naturais pela equipe técnica do Banco Central, dada a complexidade dessa inovação tecnológica” — diz a nota divulgada no fim da tarde.

Até às 18h desta segunda-feira, as 1 milhão de transações somaram R$ 777,3 milhões. Cada transação teve valor médio de R$ 773.

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, participou do evento de lançamento do sistema na manhã desta segunda. Em discurso, ele afirmou que o Pix trará mais eficiência e competição para o sistema financeiro, inclusive estimulando a criação de novos produtos.

— A inovação não para. O Pix não para aqui. A gente tem novas funcionalidades, a gente pode falar de cashback, de pagamentos programados, coisas que virão pela frente — disse Campos Neto.

Ao falar em cashback, Campos Neto se referia ao saque no comércio, que deve estar disponível no ano que vem. O saque deve funcionar da seguinte maneira: O consumidor chega ao caixa de um supermercado e diz que quer sacar R$ 100 com o Pix. O caixa, então, escolhe a opção na maquininha do cartão, que exibe um QR Code.

O consumidor abre o aplicativo do celular, escolhe a opção Pix e escaneia o código, fazendo o pagamento de R$ 100 para o mercado. Depois dessa confirmação, o atendente recolhe o dinheiro em espécie do caixa e dá para o consumidor.

Já a partir do lançamento, o Pix poderá ser usado para transferências e pagamentos, inclusive para a União. Por meio do PagTesouro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Secretaria de Pesca e Aquicultura já estão preparados para receber pagamentos.

Outros órgãos ainda estão preparando os sistemas para integrar o novo sistema de pagamentos. Para o futuro, o Banco Central está preparando funcionalidades como o parcelamentos de compras.

Durante a fase de testes, que durou do dia 3 até o último domingo, foram realizadas 1,9 milhão de transações somando R$ 780 milhões. Em nota, o BC disse que durante esse período, manteve diálogo com as instituições e um “significativo nível de colaboração”.

“O sucesso da fase de operação restrita reforça o potencial impacto que o Pix promoverá na indústria de pagamentos, alavancando a competição e resultando em melhores serviços aos usuários; na economia, com a eletronização dos pagamentos e consequente redução do custo social com instrumentos baseados em papel; e para a população, disponibilizando um meio de pagamento barato, seguro, instantâneo e prático”.

O presidente do BC disse que a estrutura do Banco Central que liquida as operações não apresentou nenhum problema durante o período de testes.

— A máquina parece muito robusta, com capacidade de processar um número muito maior de operações que estão sendo feitas agora.

Já o chefe do Departamento de Competição e Estrutura do Mercado Financeiro do BC, Angelo Duarte, avalia que o período de testes foi eficiente para a solução de problemas pontuais e que as instituições foram melhorando as suas operações ao longo do tempo.

— Foi um ticket médio de R$ 400. Isso significa que não eram operações de teste. Você via logicamente muita gente fazendo Pix de R$ 1, R$ 0,10, para um parente ou amigo. Mas um ticket médio de R$ 400 significa que durante esse período já fluiu milhares de operações que eram pagamentos verdadeiros.

O presidente do BC espera que o Pix estimule a inclusão financeira, ampliando o acesso e viabilizando novos negócios que não eram possíveis por causa do preço das transações. Outra vantagem, segundo Campos Neto, é a facilidade para os usuários.

— Tem que ser fácil, a gente tem que pensar que transferir dinheiro de uma pessoa para outra tem que ser tão fácil como fazer uma ligação ou passar uma mensagem no aplicativo, esse é o objetivo.

O Pix já deve estar disponível para quem tem conta em uma das 734 instituições que passaram pela fase de testes e passaram a funcionar nesta segunda-feira. A opção deve aparecer dentro do aplicativo do banco, fintech ou cooperativa ao lado de funções como o TED, DOC e de pagamento de boletos.