Pix: bancos oferecem prêmios de até R$ 1 milhão e anuidade gratuita no cartão para atrair clientes

João Sorima Neto
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Foto: Luiza Moraes
Foto: Luiza Moraes

SÃO PAULO, BRASÍLIA e RIO — Os bancos estão em uma verdadeira cruzada para atrair clientes e não clientes a cadastrarem suas chaves Pix. Sorteio de prêmios de até R$ 1 milhão, isenção de tarifas para empresas, anuidade de cartão de crédito gratuita são as “iscas” para fisgar o consumidor. A lógica é simples: quanto mais gente cadastrada com as melhores chaves (CPF, e-mail ou número de celular), maior o número de transações.

Para pessoas físicas, o Pix será gratuito para transferências e pagamentos com QR Code, por exemplo. Mas os bancos poderão cobrar tarifas das empresas. Segundo o Banco Central (BC), as instituições financeiras também pagarão uma taxa pelo uso do novo sistema. A cada dez transações pelo Pix, bancos e fintechs pagarão R$ 0,01, a título de “recuperação de custos operacionais”.

Por enquanto, as instituições financeiras estão isentando as companhias das tarifas, mas isso será por tempo limitado. Empresas e até pessoas físicas devem ser cobradas quando forem lançadas novas funcionalidades do Pix, como o saque de dinheiro, previsto para 2021. Os bancos ainda não definiram as tarifas.

— O Pix não vai se limitar à transferência de recursos, e o céu é o limite em termos de funcionalidades. Os bancos cobrarão taxas, mas terão a concorrência de bancos digitais e fintechs — diz o economista João Augusto Salles, estrategista em renda variável da Senso Corretora.

Até as 18h desta segunda-feira, segundo o BC, houve 1 milhão de transações, no total de R$ 777,3 milhões. Alguns usuários se queixaram nas redes sociais de espera por horas para fazer uma transferência, que seria feita em 10 segundos.

— A inovação não para. O Pix não para aqui. A gente pode falar de cashback, de pagamentos programados, coisas que virão pela frente — disse o presidente do BC, Roberto Campos Neto, usando o termo cashback para se referir, na verdade, a saques no comércio.

No Itaú Unibanco, empresas que cadastrarem seu CNPJ como chave Pix em novembro terão isenção de tarifas nos três primeiros meses — mas apenas aquelas com faturamento de até R$ 30 milhões anuais, no limite de 200 transações no período. Os clientes Rede (a empresa de maquininhas do Itaú) terão seis meses de isenção de tarifas nas vendas com o Pix.

Passados os três meses, ou o limite de 200 transações, as empresas terão de pagar por alguns tipos de pagamentos e recebimentos. O valor das tarifas, porém, dependerá do relacionamento da companhia com o banco. Permanecem gratuitos os pagamentos por QR Code e recebimentos via transferências.

A estratégia do Banco do Brasil será sortear até R$ 700 mil, divididos em 237 prêmios. Serão 24 sorteios de R$ 5 mil, três de R$ 50 mil e um de R$ 100 mil.

Confira também: Entenda nova funcionalidade do Pix parecida com o boleto

Cada chave Pix dará direito a números para concorrer aos sorteios. Todos os clientes pessoa jurídica terão isenção, por três meses, de tarifas nos pagamentos dentro do Pix efetuados pelo BB Digital PJ e Mobile PJ, bem como quando receberem por meio do QR Code.

No Santander, quem cadastrar CPF e celular no Pix ganha dez dias sem juros, mensalmente, no cheque especial. O benefício será suspenso se o cliente transferir os dados para outro banco.

Serão ainda sorteados dois prêmios de R$ 1 milhão, um para pessoa jurídica e o outro para pessoa física. E o cartão de crédito SX dará isenção de anuidade a quem cadastrar CPF e celular como chaves Pix. Para empresas, o banco ainda não definiu as tarifas.

E se o Santander fez uma campanha publicitária estrelada pela atriz Ana Paula Arósio, o Bradesco adotou o campeão mundial de surfe Gabriel Medina como garoto-propaganda do Pix.

O Bradesco, porém, não está fazendo nenhuma promoção para atrair clientes. A Caixa também decidiu não fazer promoções.

João Bragança, gerente sênior da Roland Berger e especialista em meios de pagamento, prevê queda na receita dos bancos, já que o Pix vai substituir, em grande parte, DOCs e TEDs. Para ele, tanto bancos como maquininhas de cartão tentarão compensar essa perda com novos produtos.

— A concorrência vai aumentar. Comparando, será um ringue de boxe, onde antes havia cinco lutadores (os grandes bancos). O Pix traz todo mundo (fintechs) para esse ringue — diz Bragança.

Entre as fintechs, o Nubank promete gratuidade inclusive para pessoas jurídicas. No C6 Bank, o Pix feito via maquininha C6 Pay terá tarifa zero nos três primeiros meses quando usado por varejistas, desde que seja usada uma do próprio C6. A partir do quarto mês, haverá cobrança de R$ 0,15 a partir da 101ª transação no mês.

Banco Inter, Neon e Mercado Pago também dizem que não cobrarão tarifas.

A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) vê pouco impacto na receita dos bancos, já que, segundo uma pesquisa, 62% das contas já são isentas desse tipo de cobrança. A agência de classificação de risco Fitch projeta perda de até 2%. (Colaboraram Gabriel Shinohara e Patricia Valle)