Pizzaria Guanabara passará por reforma para ganhar visual mais ‘divertido e moderno’

Um dos pontos onde a madrugada carioca encontra a saideira de shows e boates desde a década de 1980, a Pizzaria Guanabara, no Baixo Leblon, vai passar por reforma e ganhar visual novo. A pizzaria segue nas mãos dos mesmos donos, ao contrário do que reportagem do GLOBO no último fim de semana deu a entender.

O espaço teve apenas uma pequena parte de seu imóvel recém-adquirida pelo dono da rede de restaurantes Belmonte, Antônio Rodrigues, mas segue sob mesma administração. Francisco Recarey, um dos donos do restaurante, revela que a repaginada na histórica pizzaria está prevista para depois do carnaval, para não atrapalhar o “after” de nenhum folião.

— A previsão é que as obras comecem assim que o carnaval acabar. Depois do fim de semana das campeãs, é mão na máquina. Nossa ideia é readequar o negócio com equipamentos mais modernos, trabalhando principalmente o design — conta o filho de Chico Recarey, fundador da pizzaria.

O cliente pode esperar uma Guanabara mais extrovertida, com uma decoração brincalhona. No lavabo, para lavar as mãos, o cliente vai abrir a torneira de um barril de chope. A brincadeira é só no visual, o líquido é água mesmo.

No cardápio, os 25 sabores de pizza são prato cheio para os indecisos. Mas quem quiser pode criar a própria pizza, escolhendo os ingredientes.

— O cliente pode pedir os sabores e escolher os ingredientes ao próprio gosto. É uma casa que nunca diz não para o cliente — diz Recarey.

Algumas combinações de ingredientes têm história. A portuguesa, por exemplo, tem camarão porque em uma madrugada os clientes pediram. Outra mesa ficou “com ciúme” e quis também. Já a pizza Mirroir, que ganhou o nome de uma boate na Lagoa, veio de pedidos de clientes vindos da boate, que sempre pediam borda de catupiry.

Em 1964, Chico Recarey abriu uma lojinha, já pensando na galera que saía da praia do Leblon para tomar uma cerveja e comer uma fatia de pizza. Depois vieram duas, três, e o lugar foi crescendo, até virar point de artistas e intelectuais nos anos 1980.

— A pizzaria sempre teve uma história com a boemia carioca e com os artistas que saíam dos shows e das peças de teatro para lanchar. Cazuza e Frejat eram frequentadores. A gente foi um dos primeiros restaurantes do Rio a ter 300 metros de serpentina de gelo para servir chope. Era a sensação — conta Francisco.

Sobre a aquisição de parte do imóvel da pizzaria por Rodrigues, Recarey esclarece que o dono do Belmonte apenas comprou uma das três lojas que compõem a propriedade, que eram alugadas para a pizzaria. Eles chegaram a tentar negociar o aluguel do espaço na Rua Ataulfo de Paiva com o novo dono, mas as tratativas não avançaram.

—A Guanabara existe há pelo menos 40 anos. Vamos readequar nosso espaço, mas manter a alma da pizzaria que é a cara da madrugada carioca —afirma.

O GLOBO tentou contato com Antônio Rodrigues mas não obteve retorno.