PL cresce no Rio e tem disputa de poder entre Flávio Bolsonaro, Cláudio Castro e Altineu

O crescimento do PL fluminense nas eleições deste ano impôs ao presidente regional do partido, o deputado federal Altineu Côrtes, o desafio de estancar a fragmentação da legenda, que pode transformá-la em um grande guarda-chuva. Pelo menos dois grupos já se formaram dentro da sigla — além da ala de aliados do próprio Altineu — de olho em interesses específicos e no controle do partido: o do senador Flávio Bolsonaro, que reúne os mais radicais, e o do governador reeleito Cláudio Castro, mais próximo do presidente regional, formado pela ala moderada e aberta a conversas com adversários do bolsonarismo.

A divisão interna do partido, ainda pacífica, já é visível tanto na condução do Executivo a partir de janeiro quanto no próximo exercício que começa a ser desenhado para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj). Mesmo aliado da família Bolsonaro, Cláudio Castro tem defendido ao seu grupo um posicionamento moderado do Palácio Guanabara em relação ao Palácio do Planalto a partir do mês que vem, quando o PT voltará ao governo federal.

Castro acredita que uma política de confronto com o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva pode resultar em desprestígio para o estado do Rio na hora da distribuição de investimentos da União.

No Legislativo, os dois grupos disputam internamente a presidência da Assembleia do Estado em 2023. Maior partido, o PL garantiu 17 das 70 cadeiras da Casa — hoje são 13. O segundo partido em representação no plenário é o União Brasil, com oito parlamentares, seguido pelo PT com sete, PSD com seis e PSOL com cinco.

Maioria bolsonarista

Em maioria entre os eleitos do PL, o grupo de Flávio Bolsonaro soma sete parlamentares. A ala bolsonarista articula o lançamento do deputado reeleito Doutor Serginho como nome da legenda na disputa pela presidência. O parlamentar também está cotado para ser o líder do partido na Alerj. Pela estratégia bolsonarista, Doutor Serginho ficaria dois anos no comando da Casa — sairia para concorrer em 2024 à prefeitura de Cabo Frio, na Região dos Lagos. Pelo acordo do grupo, o parlamentar seria substituído por Jair Bittencourt, também fiel à família Bolsonaro.

Já o governador Cláudio Castro, que detém a máquina estadual e faz uma política de varejo com atendimento a pedidos de parlamentares, trabalha pelo nome de seu secretário estadual de Governo, Rodrigo Bacellar. Mais cotado nas apostas dos corredores da Alerj, Bacellar teria votos necessários para sua eleição, caso a escolha fosse feita hoje.

Altineu, próximo de Castro, ainda não teria um nome escolhido para a disputa pela presidência. Seu principal aliado na Casa é um novato, Douglas Ruas, filho de Capitão Nelson, prefeito de São Gonçalo — terceiro maior colégio eleitoral do estado e reduto de Altineu.

A fragmentação do PL no estado também é verificada no posicionamento da bancada fluminense no Congresso Nacional. Altineu — nome cotado no partido para disputar o Senado em 2026 — tem afirmado na Câmara dos Deputados que há um consenso entre os parlamentares do partido para a aprovação da PEC da Transição, o que garantiria o pagamento de benefícios sociais federais por parte do novo governo do PT.

Indo de encontro a Altineu, o senador Carlos Portinho afirma, no entanto, que tem trabalhado, junto com a bancada do partido na Casa, para dificultar a aprovação do texto, que é prioridade do novo governo. Portinho é aliado fiel da família do presidente Jair Bolsonaro.

Nome forte de Valdemar

De acordo com interlocutores do PL, na disputa por poder e espaço dentro do partido, Altineu é visto como nome forte do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, dentro do diretório estadual, garantindo força. O deputado é um dos responsáveis pelo crescimento do PL fluminense, com a filiação de dezenas de prefeitos, vereadores e a escolha da lista vencedora de candidatos ao Legislativo estadual.

O governador Cláudio Castro tem como arma no embate a caneta do Palácio Guanabara e briga pelo posto de liderança central do PL no estado, após o fim do governo Bolsonaro. Já Flávio é o principal articulador político do bolsonarismo no Rio, o que se reflete sempre em votos.